Angola encerrou o ano de 2025 com sinais claros de recuperação macroeconómica, evidenciados pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), pela redução da inflação e por melhorias nos indicadores do mercado de trabalho, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com o INE, o PIB cresceu 1,82% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com igual período de 2024. Na variação trimestral, entre o segundo e o terceiro trimestre do ano, e considerando a série com ajustamento sazonal, a economia registou um crescimento de 0,05%. Estes resultados reforçam a tendência positiva já observada no segundo trimestre, quando o PIB avançou 1,08% em termos homólogos, embora tenha apresentado uma ligeira queda de 0,1% na variação trimestral.
A estrutura do crescimento continua marcada pelo contraste entre os sectores petrolífero e não petrolífero. O sector petrolífero registou, pelo quarto trimestre consecutivo, uma contracção significativa, na ordem de 7,77%, enquanto o sector não petrolífero cresceu 4,14%, representando um acréscimo de 0,70 ponto percentual face ao período anterior. Em termos globais, a economia angolana apresentou uma contracção de 8,65% no sector petrolífero e um crescimento de 3,43% no sector não petrolífero, impulsionado por áreas como a indústria transformadora, a agricultura, o comércio, as telecomunicações e a administração pública.
No domínio do emprego, os dados do INE indicam que a população empregada no terceiro trimestre de 2025 aumentou 10,7%, o que corresponde à criação de cerca de 1,38 milhão de novos postos de trabalho. A população empregada com mais de 15 anos foi estimada em 14,3 milhões de pessoas, sendo 7,19 milhões homens e 7,13 milhões mulheres, evidenciando uma maior representatividade de género no mercado de trabalho. Apesar desta evolução positiva, a taxa de desemprego manteve-se elevada, fixando-se em 64,4%.
O levantamento estatístico foi realizado com base numa nova amostra, que inclui 1.308 secções censitárias a nível nacional, das quais 817 em zonas urbanas e 491 em áreas rurais, abrangendo um total de 13.080 agregados familiares. Segundo analistas, estes dados reflectem o impacto de políticas públicas orientadas para sectores como a construção, agricultura, pescas e indústrias transformadoras, com especial enfoque na inclusão da juventude no primeiro emprego.
Outro indicador relevante da melhoria do quadro macroeconómico foi a inflação, que em 2025 se fixou em 15,7%, uma redução significativa face aos 27,5% registados em 2024. O recuo de 11,8 pontos percentuais representa a taxa mais baixa dos últimos 27 meses consecutivos. Este desempenho reforça as expectativas de que a meta governamental de inflação de 13,7% para 2026 seja alcançável, conforme avançou o jornal Economia e Finanças.
No seu conjunto, os dados do INE apontam para uma gradual consolidação da estabilidade macroeconómica, sustentada pela diversificação económica e pela redução das pressões inflacionistas, embora persistam desafios estruturais, sobretudo ao nível do desemprego e da dependência do sector petrolífero.

