O Serviço de Investigação Criminal (SIC) em Benguela deteve quatro cidadãos, com idades compreendidas entre 23 e 25 anos, suspeitos da prática do crime de homicídio qualificado, na sequência da morte de uma jovem de 26 anos, ocorrida após uma intervenção cirúrgica ilegal destinada à interrupção de uma gravidez de sete meses.

De acordo com as autoridades, os factos tiveram lugar no bairro Calaçombecoa, onde a vítima foi conduzida à residência de um suposto médico, identificado como Lourenço Fernando Jordão, que, auxiliado pela sua esposa, realizou uma intervenção cirúrgica sem qualquer habilitação legal para o exercício da actividade médica.
Durante o procedimento, a jovem terá sofrido graves complicações, acabando por falecer no dia 31, segundo apurou o SIC no decurso da investigação. Na tentativa de induzir a opinião pública em erro, os suspeitos terão posteriormente transportado o cadáver até uma barreira abandonada, nas imediações da cerâmica, onde depositaram o corpo.
Inicialmente, o caso foi apresentado como uma alegada agressão sexual ocorrida na via pública, versão que levantou suspeitas junto dos investigadores. No âmbito da linha de investigação adoptada, o SIC aprofundou as diligências e concluiu que se tratava, na verdade, de uma interrupção clandestina de gravidez, realizada em condições ilegais, que resultou na morte da vítima.
O SIC sublinha que Lourenço Fernando Jordão e a sua esposa não estão legalmente habilitados a exercer actos médicos, facto que agrava a moldura criminal dos actos praticados.
Os quatro detidos serão presentes ao magistrado do Ministério Público, para os competentes trâmites processuais, enquanto as autoridades prosseguem com a investigação para o total esclarecimento do caso.
O SIC reiterou, por outro lado, o alerta à população para os riscos associados a práticas médicas ilegais, apelando à procura exclusiva de unidades de saúde devidamente autorizadas, de modo a evitar tragédias semelhantes.

