Os protestos no Irão contra a deterioração da situação económica e a desvalorização da moeda continuaram hoje, pelo terceiro dia consecutivo, com manifestações em várias universidades, indicaram meios de comunicação social locais.

Entretanto, em várias universidades da capital iraniana, incluindo as universidades de Teerão, Sharif e Beheshti, as mais prestigiadas do Irão.
O portal de notícias ‘online’ Amirkabir avançou que os estudantes realizaram manifestações de apoio aos protestos de comerciantes e cidadãos contra a crise económica no país, duramente atingido pelas sanções dos EUA e da ONU devido ao programa nuclear.
Em Teerão, foram registados encerramentos parciais de várias lojas no Grande Bazar e noutros mercados da zona sul da capital, de acordo com imagens publicadas nas redes sociais pela organização não-governamental (ONG) iraniana de oposição Hrana, com sede nos Estados Unidos.
Os vídeos mostram um grande contingente de forças de segurança no bazar e nas ruas adjacentes.
A Hrana acrescentou que também houve manifestações nas cidades de Kermanshah, no oeste do país, e Shiraz, no sul, com gritos de “Morte à inflação” e “Fechem, fechem”, incitando os comerciantes a aderir ao movimento de protesto social que começou no domingo em Teerão.
Os protestos começaram no domingo, quando os comerciantes de diversos mercados e centros comerciais do centro e sul de Teerão fecharam as suas lojas e marcharam pelas ruas adjacentes em resposta às fortes oscilações do mercado cambial, à queda acentuada do valor do rial e à instabilidade económica.
As manifestações continuaram na segunda-feira e alastraram-se a outras cidades, como Malard (na província de Teerão), Karaj (norte), Kerman (sudeste), Zanyan e Hamadan (noroeste) e à ilha de Qeshm (sul).
Em alguns destes protestos, ouviram-se palavras de ordem contra a República Islâmica, como “Morte ao ditador”, de acordo com vídeos publicados por ativistas nas redes sociais.
O Governo iraniano reconheceu já a legitimidade dos protestos contra as dificuldades económicas e defendeu o diálogo com os manifestantes, prometendo implementar reformas para preservar o poder de compra dos cidadãos.
O Irão enfrenta uma inflação anual superior a 42%, enquanto a inflação acumulada entre novembro e dezembro atingiu os 52% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Além disso, a moeda iraniana perdeu, este ano, 69% do valor face ao dólar.
Lusa

