Quinta-feira, 5 de Fevereiro, 2026

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Líder do MPLA diz que partido terá apenas um candidato em 2027

O líder do MPLA defendeu hoje que múltiplas candidaturas à liderança no próximo congresso “não beliscam a harmonia” do partido, escusando-se a falar sobre o futuro candidato às eleições de 2027, mas garantindo que apenas um nome será apresentado.

Líder do MPLA diz que partido terá apenas um candidato em 2027

João Lourenço, também Presidente de Angola falava aos jornalistas após inaugurar a nova sede nacional do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), ato integrado nas comemorações do 69.º aniversário do partido que governa Angola desde a independência em 1975 e que foi fundado a 10 de dezembro de 1956.

Questionado sobre o surgimento de nomes que manifestaram intenção de concorrer à liderança do MPLA, João Lourenço garantiu que isso “em nada belisca a harmonia interna do partido”, assegurando que “o partido está sólido em termos de unidade interna”.

Sobre a possibilidade de múltiplas candidaturas à liderança no próximo congresso do partido, marcado para 2026, João Lourenço assegurou que todo o processo “será feito no respeito estrito ao que dizem os estatutos”.

“As pessoas são livres de dizerem o que quiserem, se apresentarem como candidatos, mas na realidade, à luz do que diz a nossa Constituição, os partidos políticos só podem ter um candidato, só é candidato aquele que, como candidato do seu partido, é apresentado ao Tribunal Constitucional. Nenhum partido político pode apresentar dois, três nomes ao Tribunal Constitucional. Só vai apresentar um nome. Portanto, o que acontece antes, não nos preocupa”, afirmou.

“A única certeza que temos é que vamos, em respeito à Constituição, apresentar ao Tribunal Constitucional o candidato do MPLA. Quem será? É uma questão de esperar, esperemos pelo Congresso”, acrescentou.

O MPLA chegou a ter uma liderança bicéfala após João Lourenço ser eleito Presidente de Angola em 2017, tendo o seu antecessor, José Eduardo dos Santos, permanecido como líder do partido até 2019.

Nesse ano, realizou-se um congresso em que foram alterados os estatutos, estabelecendo que o Presidente do partido seria automaticamente o cabeça de lista às eleições e consequentemente, o Presidente da República.

João Lourenço cumpre o seu segundo mandato como Presidente da República e, segundo a Constituição, não poderá recandidatar-se ao cargo em 2027.

No entanto, sem esclarecer o seu futuro político nem se pretende chefiar novamente o partido no congresso do próximo ano, deixou de lado uma futura liderança bicéfala.

O líder partidário sublinhou que o resultado obtido em 2022, em que o MPLA perdeu em três províncias, não pode ser considerado menos positivo, recordando que o partido venceu com maioria absoluta, conquistando 124 dos 220 lugares na Assembleia Nacional.

“É uma diferença que deixa o MPLA com uma folga muito grande para governar com toda a legitimidade, não podemos aceitar que se diga que teve um resultado menos bom. A verdade é que venceu por uma maioria absoluta. Partidos europeus, na sua maioria, governam sem essa maioria absoluta e estão sempre dependentes da vontade de outros partidos políticos”, realçou.

“Tem que ficar muito bem claro que o MPLA está a governar com toda a legitimidade e que o resultado que teve é bastante bom”, insistiu.

João Lourenço destacou ainda que o 69.º aniversário do MPLA será comemorado com atos de massas, mas também com a inauguração da nova sede nacional, uma infraestrutura “imponente”, construída em tempo recorde, que visa criar melhores condições de trabalho para os funcionários do partido.

A nova sede, localizada na Avenida Ho Chi Minh, ao lado das antigas instalações, possui nove andares destinados a acolher os principais órgãos de direção e a cerimónia inaugural contou hoje com a presença de membros do Bureau Político, Comité Central, Conselho de Honra, primeiros secretários provinciais e militantes da das organizações juvenil e feminina do partido.

O presidente do partido garantiu que o MPLA existe “para servir o povo e servir a nação” e que está focado “sobretudo no cumprimento desta responsabilidade que o povo tem dado de forma reiterada”.

Lusa

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