Quarta-feira, 4 de Março, 2026

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Carlos III condena violência do Reino Unido contra quenianos na época colonial

O Rei Carlos III do Reino Unido condenou hoje, em Nairóbi, os “abomináveis e injustificáveis atos de violência” que o seu país cometeu durante a época colonial contra os quenianos que lutaram pela independência em 1963.

Carlos III condena violência do Reino Unido contra quenianos na época colonial

“Temos de reconhecer os momentos mais dolorosos da nossa longa e complexa relação”, disse o Rei num discurso proferido durante um banquete oficial oferecido pelo Presidente queniano, William Ruto, no primeiro dia da sua visita de Estado à antiga colónia britânica, que se prolonga até sexta-feira.

No jantar realizado na State House (sede da presidência queniana), Carlos III sublinhou que “os erros do passado são, evidentemente, motivo de grande dor e arrependimento”.

Carlos III não chegou a pedir desculpa por estas ofensas históricas.

Durante o jantar na State House, Carlos III sublinhou que “os erros do passado são, naturalmente, motivo de grande tristeza e pesar”.

“Foram cometidos actos de violência abomináveis e injustificáveis contra os quenianos que travavam uma luta dolorosa pela independência e não há desculpa para isso”, admitiu o monarca.

“Ao regressar ao Quénia”, continuou, “o mais importante para mim é aprofundar a minha própria compreensão destes males e conhecer algumas das pessoas cujas vidas e comunidades foram tão severamente afectadas”.

“Nada disto pode mudar o passado, mas se abordarmos a nossa história com honestidade e abertura, talvez possamos demonstrar a força da nossa amizade atual”, concluiu Carlos III.

Durante o banquete, o Presidente queniano agradeceu a “vontade de reconhecer os aspectos dolorosos da (…) história comum” dos dois países.

“Se o colonialismo foi brutal e atroz para o povo africano, a reação colonial às lutas africanas pela soberania e pelo autogoverno foi monstruosa na sua crueldade”, recordou Ruto no seu discurso.

Essa crueldade, sublinhou, culminou no chamado Estado de Emergência (1952-1960), declarado face à luta travada pela organização guerrilheira popularmente conhecida como Mau Mau, durante a qual morreram pelo menos dezenas de milhares de quenianos, se bem que não existam números definitivos.

“Embora tenham sido feitos esforços para reparar a morte, os danos e o sofrimento infligidos aos africanos quenianos pelo governo colonial, ainda há muito a fazer para conseguir uma reparação total”, acrescentou Ruto.

Antes do seu discurso, Carlos III depositou uma coroa de flores nos Uhuru Gardens em Nairobi, onde o Quénia declarou a independência em 1963, com o gesto simbólico de baixar a bandeira britânica e hastear a bandeira queniana.

O rei depositou uma coroa de rosas brancas e lilases no Túmulo do Soldado Desconhecido, sob o olhar atento do Presidente do Quénia, William Ruto.

O monarca, que chegou a Nairobi na segunda-feira à noite acompanhado pela Rainha Camilla, prestou homenagem aos heróis do Quénia, militares e civis, num memorial marcado por uma chama eterna.

A homenagem floral do Rei tinha uma nota escrita à mão que dizia: “Em grata recordação – Charles R.”.

Charles caminhou depois até à árvore Mugomo, uma figueira plantada no local exato da declaração de independência do Quénia, onde a bandeira britânica foi arriada e a primeira bandeira queniana hasteada em 12 de dezembro de 1963.

No início da manhã, o Rei e a Rainha britânicos foram calorosamente recebidos por Ruto e pela sua esposa, Rachel Ruto, na State House, abrindo oficialmente a sua visita de quatro dias.

Esta é a primeira visita de Carlos III, de 74 anos, como rei a um país da Commonwealth desde que sucedeu à sua mãe, Isabel II, que morreu a 08 de setembro de 2022, com 96 anos, e foi a monarca britânica mais antiga.

Carlos, no entanto, já efetuou três visitas oficiais ao país africano, em 1971, 1978 e 1987.

O Quénia também tem um significado especial para a família real britânica, já que Isabel II viajava para lá quando se deu a morte, em 1952, do seu pai, Jorge VI, marcando o início do seu reinado.

Lusa

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