O Presidente da UNITA disse hoje que os deputados da oposição vão tomar posse na sexta-feira “para poderem defender os princípios”, criticando a falta de legitimidade do novo Governo.

“Vamos regressar a todas as províncias, para onde partiram delegações nos últimos quatro dias e conversaram com as forças vivas da sociedade civil, e desse debate saiu a resolução de que não devemos estar fora das instituições, e por isso os deputados vão tomar posse na sexta-feira”, disse Adalberto da Costa Júnior, em conferência de imprensa, em Luanda, quando questionado sobre se estará na tomada de posse de João Lourenço, na quinta-feira.
“Deste debate ficou claramente verificado que o partido único no poder é um inimigo de Angola e do seu desenvolvimento, e todas as vias democráticas e constitucionalmente previstas devem ser usadas para acabar com o partido único no poder e acabar com os golpes de Estado, que foi o que acabou de acontecer neste país”, acrescentou o líder da UNITA.
Os presidentes do Partido de Renovação Social (PRS), Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e Partido Humanista de Angola (PHA) vão participar da cerimónia de investidura do Presidente da República reeleito, João Lourenço, na sequência das eleições gerais de 24 de agosto, marcada para quinta-feira, confirmaram hoje fontes partidárias.
Benedito Daniel, presidente do PRS, que nas quintas eleições elegeu dois deputados, disse hoje à Lusa que já recebeu o convite e que estará presente na Praça de República, em Luanda, para a cerimónia.
Segundo o político, reeleito deputado para a quinta legislatura, a decisão da sua presença na cerimónia de investidura de João Lourenço foi aprovada em sede de uma reunião do seu partido.
“Tudo porque não estivemos presentes nas cerimónias [de investidura] realizadas em 2012 e 2017 e, então, desta vez, a direção do partido decidiu estarmos nesta cerimónia de 2022”, argumentou.
O presidente da FNLA, Nimi a Simbi, confirmou à Lusa que também estará presente na investidura do Presidente e da vice-presidente de Angola.
“Recebemos o convite sim e estaremos lá neste ato, assim como também vamos marcar presença na cerimónia de posse dos deputados [marcada para sexta-feira] na Assembleia Nacional”, frisou.
Nimi a Simbi afirmou que vai à sede do parlamento angolano para participar do processo de acolhimento e iniciação dos deputados da quinta legislatura, uma espécie de cadastro interno, abrangente aos 220 deputados eleitos.
O líder da FNLA, que elegeu dois deputados para a nova legislatura, referiu igualmente que o seu partido se demarca de manifestações e que não vai entrar na “onda de contestação dos resultados eleitorais”, por não ter disponíveis as atas sínteses para confrontar os resultados.
“Como sabe a reclamação dos nossos delegados de lista persiste, já tivemos algumas das nossas sedes vandalizadas, e eles, enquanto não receberam os seus pagamentos não nos querem entregar as atas, o resto fica para a história”, atirou.
Uma fonte do PHA disse à Lusa que a sua presidente, Bela Malaquias, também assistirá à investidura do Presidente angolano.
Segundo a ata de apuramento final das eleições gerais de 24 de agosto, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e o seu candidato, o Presidente cessante, João Lourenço, venceram com 51,17% dos votos, seguindo-se a UNITA, com 43,95%.
Com estes resultados, o MPLA elegeu 124 deputados e a UNITA 90 deputados, quase o dobro das eleições de 2017.
O PRS conquistou dois assentos no parlamento ao somar 1,14% de votos, o mesmo número de deputados que conquistaram a FNLA e o PHA, com 1,06% e 1,02% de votos, respetivamente.
A coligação CASA-CE, a APN e o P-Njango não obtiveram assentos na Assembleia Nacional, que na legislatura 2022-2027 vai contar com 220 deputados.
Lusa

