A Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, defendeu, esta sexta-feira, no Luena, mais apoios dos actores sociais e políticos para que o Governo consiga diminuir o índice de VIH/SIDA no país.
Ao discursar na cerimónia de avaliação da implementação do programa “Nascer Livre para Brilhar”, lançado há três anos no Luena, constatou a necessidade de se apoiar o Governo em acções de prevenção e tratamento da SIDA.
A preocupação da Primeira-Dama resulta do facto de estudos mostrarem que os doentes que padecem da doença são mais caros, em termos pecuniários, se comparados aos que sofrem de doenças endémicas, como paludismo por exemplo.
Precisou que tratar uma mulher com VIH, incluindo o tempo de gestação e a amamentação, ronda entre os 325 mil kwanzas/ano, dependendo do tipo e esquema de tratamento que for utilizado.
No caso concreto do tratamento de uma criança com VIH, os valores podem chegar acima dos 380 mil 500 kwanzas, anualmente, segundo ainda a Primeira-Dama da República.
“Se compararmos com outras doenças endémicas, em particular, com a malária, tratar um paciente com quatro episódios de malária/ano custa cerca de seis mil e 300 kwanzas e no seu estado grave pode gastar cerca 25 mil 680 kwanzas”, alertou.
Afirmou que a ideia de mostrar os custos que se fazem com tratamento dessa epidemia visa elucidar a população a primar pela prevenção e, também, para se evitar “afirmações e comparações empíricas que dificultam a tomada de decisão ou levam a tomada de decisões erradas”.
“É importante que seja do conhecimento de todas as famílias que a infecção por VIH é prevenível e tem tratamento”, lembrou.
Ana Dias Lourenço mostrou-se satisfeita com o facto de o programa “Nascer Livre para Brilhar” ter sido implementado para que a maior quantidade de mães e famílias tivessem acesso a informações necessárias a respeito da prevenção e tratamento do VIH.
Agradeceu a todas as mulheres angolanas que vivem com a doença, que as considerou guerreiras, por aderirem às consultas pré-natal, aos programas de transmissão vertical do VIH, e que seguem o tratamento com antirretrovirais, ultrapassando com resiliências o estigma e a descriminação.
O governador provincial, Gonçalves Muandumba, disse ser um momento simbólico, destacando a eficácia do programa Nascer Livre para Brilhar, que diz ter saído do slogan para um programa estruturado e que está a salvar vidas.
Gonçalves Muandumba ressaltou, igualmente, o aumento de postos de testagem e aconselhamento do VIH/SIDA, que passou de 23, em 2018, para os actuais 59 unidades, e de 15 centros de prevenção da transmissão vertical para 25 infraestruturas.
Na província do Moxico, desde o lançamento da campanha, em 2018, mil 425 crianças, entre as quais 367 são saudáveis, beneficiam de cuidados de profilaxia.
A campanha “Nascer Livre para Brilhar” é uma iniciativa da União Africana, da Organização das Primeiras-Damas Africanas e de parceiros, para abordar a crescente complacência na resposta à SIDA em África.
Em Angola, a campanha foi lançada há três anos, na cidade do Luena, província do Moxico.
O objectivo é reduzir o número de novas infecções por VIH em mulheres com idade reprodutiva, prevenir a transmissão do vírus de mães para filhos, e garantir que as crianças nascidas neste contexto recebam o tratamento e tenham o acompanhamento que as proporcione uma vida saudável.
A meta da campanha, numa primeira fase, é a redução da taxa de transmissão do VHI de mãe para filho de 26 por cento, em 2019, para 14 por cento, em 2021.
Angop

