Sábado, 25 de Abril, 2026

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Angola revista mais de mil crimes de abuso sexual em 2021

Mil e 229 crimes de abusos sexuais, dos quais 858 cometidos no interior de residências e 371 na via pública, foram registados em 2021, em Angola, fruto das denúncias nos piquetes da Polícia Nacional.

Os dados foram apresentados, nesta terça-feira, pela chefe do Departamento de Segurança Pública e Operações da Polícia Nacional, Superintendente Lúcia Soares Reis, durante a Conferência Internacional dos Direitos Sexuais e Reprodutivos de Mulheres e Meninas, uma iniciativa da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA).

Sem comparar os dados do ano anterior, Lúcia Soares Reis disse que 77 por cento dos agressores são pessoas conhecidas e próximas das vítimas, mas este éum número que não reflecte a realidade devido as fracas denúncias resultantes da sensação de vergonha e do receio do julgamento social.

Adiantou que na maioria dos casos de violência sexual, existe uma relação entre o agressor e a vítima, muito deles pertencentes a mesma família, no entanto os homens não são os únicos que praticam tal acto, na realidade também há mulheres e adolescentes que cometem agressões sexuais.

Entretanto, a directora da Unidade de Comunicação e Advocacia Social ( UCAS), Cecília Quitombe, disse ser necessário reflectir o contexto actual de Angola, que enfrenta grandes desafios como  a violência, assedio sexual, acessibilidades do planeamento familiar para todas as mulheres, casamentos prematuros e pouca informação sobre o direito ao corpo, uso de anticonceptivos e o direito ao aborto.

Disse que a intenção éalertar as populações sobre a necessidade de continuar a reflectir e partilhar experiências dos direitos sexuais, conhecer as boas práticas das questões ligadas ao trabalho das parteiras tradicionais, que desenvolvem a promoção de educação cívica sobre as doenças sexualmente transmissíveis como HIV/sida e outras.

Já a chefe do Departament para Políticas Familiares do MASFAMU, Isabel Pinto, disse que continuam a trabalhar em acções de sensibilização da sociedade, no âmbito do projecto ” Jango do Valor”, associado ao programa do resgate dos valores morais e cívicos das famílias

Adiantou que as parteiras tradicionais são capacitadas permanentemente para o processo de sensibilização da salvaguarda dos direitos das mulheres nos vários contextos culturais em que estão inseridas, como as questões ligadas a tradição.

Durante o evento, foram abordados temas como os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres na perspectiva da justiça social, principais programas da saúde sexual e reprodutiva em Angola, abuso e exploração sexual contra meninas e mulheres, processamento de denúncias, casamentos prematuros e saúde sexual , mutilação genital feminina, entre outras.

A conferência visou reflectir sobre os direitos sexuais e reprodutivo das mulheres nas comunidades locais das províncias de Benguela, Lunda Sul e partilhar experiências das realidades de Moçambique e Guiné-bissau.

Angop

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