O primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Jorge Bom Jesus, propôs ao Presidente do país a exoneração do ministro da Defesa e Ordem Interna, Óscar Sousa, acusado pela oposição de ter tentado um golpe de Estado.

“Sirvo-me do presente para (…) propor a vossa excelência senhor Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe a exoneração do ministro da Defesa e Ordem Interna, Óscar Aguiar do Sacramento e Sousa”, refere uma proposta assinada por Jorge Bom Jesus, a que a Lusa teve hoje acesso.
No documento, datado de 11 de agosto, o primeiro-ministro acrescenta que irá assumir interinamente as funções de ministro da Defesa e Ordem Interna e que a proposta para um novo ministro “será feita oportunamente”.
No mesmo dia, o partido Ação Democrática Independente (ADI) tinha pedido a demissão do ministro da Defesa são-tomense, que acusou de ter ordenado a detenção do Presidente da República e do primeiro-ministro, numa tentativa de golpe no país.
Num comunicado, o ADI afirmou que, no passado sábado, Óscar de Sousa, “por sua livre iniciativa e em conluio com alguns oficiais e cidadãos comuns”, protagonizou uma ação a que chamaram de “intentona golpista”, “com a finalidade de deter tanto o Presidente da República como o primeiro-ministro, subvertendo a ordem constitucional”.
“O ministro da Defesa e Ordem Interna, não reúne condições para manter-se num tão importante cargo, pelo que o ADI exige do primeiro-ministro e chefe do Governo, a demissão imediata e incondicional do Sr. Óscar Sousa, das funções”, refere o comunicado assinado pelo secretário-geral do partido, Américo Ramos.
O candidato Carlos Vila Nova, apoiado pelo ADI, foi o mais votado na primeira volta das eleições presidenciais realizadas em 18 de julho, registando 43,3% dos votos. Guilherme Posser da Costa, apoiado pelo Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe / Partido Social Democrata (MLSTP/PSD) foi o segundo mais votado, com 20,7% dos votos.
Após a proclamação dos resultados provisórios foram realizadas várias manifestações, trocas de acusações e denuncias de fraudes por causa do ato eleitoral.
Durante o dia de hoje, o parlamento são-tomense adiou, pela segunda vez e sem indicar nova data, a sessão plenária que deveria marcar o dia da segunda volta das eleições presidenciais.
O ADI acusou hoje, também, o presidente do parlamento, Delfim Neves, de se pretender autoproclamar Presidente interino do país.
O secretário-geral do ADI, Américo Ramos, afirmou que o presidente do parlamento, Delfim Neves, “decidiu sozinho adiar” por duas vezes a sessão plenária que deveria marcar o dia da segunda volta das eleições presidenciais.
Lusa

