O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, acusou nesta segunda-feira (1) o Irão de causar uma explosão num navio israelita e prometeu uma resposta contra os interesses iranianos “em toda a região”, horas depois de ataques atribuídos ao Estado hebreu na vizinha Síria.

Por sua vez, o Irão rejeitou “firmemente” as acusações pelo ocorrido no “MV Helios Ray”, um navio israelita que transportava veículos e que se dirigia da cidade saudita de Dammam para Singapura quando sofreu uma explosão na semana passada, em frente ao Sultanato de Omã.
O Golfo de Omã está localizado entre o Irão e Omã, na saída do estratégico Estreito de Ormuz – por onde transita grande parte do petróleo mundial e onde opera uma coligação liderada pelos Estados Unidos.
No sábado, o ministro da Defesa israelita, Benny Gantz, disse que o Irão poderia ser o responsável pela explosão no navio, confirmada pela Dryad Global, sociedade especializada em segurança marítima.
Segundo Israel, o Irão está a tentar aumentar a pressão em vista das próximas negociações com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear.
Mas, nesta segunda, Benjamin Netanyahu foi mais incisivo.
“Está claro que foi um ato iraniano. E, sobre a minha resposta, vocês conhecem minha política. O Irão é o maior inimigo de Israel e estou decidido a detê-lo e vamos atingi-lo em toda a região”, afirmou em entrevista a uma rádio.
“Mais importante, o Irão não terá nenhuma arma nuclear, com ou sem acordo. Isso é o que eu disse ao meu amigo, o presidente (americano Joe) Biden”, ressaltou Netanyahu.
A resposta iraniana, por um porta-voz do ministério das Relações Exteriores, foi imediata: “Rejeitamos firmemente esta acusação”, porque “a fonte desta acusação é a menos crível possível, o que mostra sua nulidade”, declarou Said Khatibzadeh.
O Irão sempre negou querer se equipar com armas nucleares.
– Ataques na Síria –
Desde domingo, o navio israelita está em Mina Rashid, em Dubai. O acesso à embarcação não era possível neste porto dos Emirados Árabes Unidos, Estado do Golfo que normalizou suas relações com Israel em 2020.
O primeiro-ministro israelita, que está em campanha para as eleições legislativas de 23 de março, fez seus comentários após ataques noturnos atribuídos a Israel contra forças pró-iranianas na Síria, país vizinho em guerra desde 2011.
A defesa aérea síria interceptou mísseis israelitas sobre Damasco, de acordo com a agência oficial síria Sanaa, sem vítimas.
Desde o início da guerra na Síria, Israel realizou centenas de ataques contra posições do regime sírio e de seus aliados – o Irão e o Hezbollah libanês, que auxiliam militarmente as forças do presidente Bashar Al-Assad.
Israel afirma regularmente que não permitirá que a Síria se torne um reduto das forças iranianas.
No domingo, o jornal iraniano Kayhan, considerado o porta-voz da ala ultraconservadora do sistema político iraniano, afirmou que o navio israelense “provavelmente caiu na armadilha de um dos ramos do eixo da Resistência”.
O “navio espião estava coletando informações no Golfo Pérsico e no Mar da Arábia”, segundo o jornal.
O Irão se considera, junto com a Síria, o Hezbollah, o movimento palestino Hamas, vários grupos iraquianos e rebeldes iemenitas, parte do “eixo de Resistência” contra Israel no Oriente Médio.
“Neste fim de semana, fomos lembrados de que o Irão não é apenas uma ameaça nuclear, ele realiza ações terroristas contra civis”, disse no domingo o chefe do exército israelita, Aviv Kohavi, durante a cerimônia de troca da guarda na unidade de elite 8200, responsável pela defesa cibernética.
“O exército israelita age e agirá contra essas ameaças (…) graças à sua inteligência”, da qual a unidade 8200 é um “pilar”, acrescentou ele num discurso, cujos extratos foram enviados à imprensa.
