Sexta-feira, 13 de Março, 2026

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Angola rende homenagem às vítimas do massacre da Baixa de Cassange

O povo angolano recorda, esta segunda-feira, dia 4 de janeiro, o massacre da Baixa de Cassange, um acontecimento que, há 60 anos, dizimou milhares de vidas de angolanos e marcou o início da luta contra a ocupação colonial e a exploração.

Numa nota publica no portal do Vice-Presidnete da República, o governo angolano salienta que o 4 de janeiro foi instituído para homenagear os compatriotas assassinado pelo exército português na região da Baixa de Cassange, província de Malanje.

A nota relembra, que tudo começou quando contratados da região da Baixa de Cassange, agastados com o trabalho forçado, paupérrimas condições  laborais, rendimento salarial ínfimo, decidiram paralisar o cultivo de algodão para a empresa Cotonang.

Estes trabalhadores eram retirados das suas aldeias e obrigados a cultivar algodão nos terrenos indicados pela Cotonang, Os únicos rendimentos dos agricultores apareciam no final de cada campanha com a venda obrigatória do algodão à Cotonang que estabelecia preços reduzidos e frequentemente comprava produtos de primeira classe a valores de segunda.

A cada camponês era imposto o cultivo de um hectare sendo obrigado a vender toda a produção a preços estabelecidos pela Companhia Algodoeira.

Por exemplo, um quilograma de algodão era comprado pela Cotonang a um escudo. Nesse momento, a administração colonial tinha subido o Imposto Geral Mínimo de 250 para 350 escudos.

Isto significava que um camponês contratado, para pagar o Imposto Geral Mínimo, tinha que vender pelo menos dez sacos de 50 quilos de algodão, ou era obrigado a contrair dívidas para a amortização na colheita seguinte.

Em 1961, a região tinha 150 mil habitantes e os campos de algodão quase 85 mil agricultores e suas famílias, todos coagidos a cultivar e vender algodão.

A exploração laboral e opressão, aliada ao fim da II Segunda Guerra Mundial e à independência de países africanos, com  destaque para o antigo Congo Belga, actual República Democrática do Congo (RDC), cujo território partilha uma fronteira de 2511 quilómetros com Angola, levaram ao surgimento de um amplo e forte movimento reivindicativo levado a cabo pelos camponeses dos centros agrícolas da Baixa de Cassange.

Apesar de esta data ser considerada um marco importante da História de Angola, à luz de uma lei adoptada em 2011 pela Assembleia Nacional, o dia 4 de Janeiro deixou de ser feriado nacional e passou a Data de Celebração Nacional, o Dia dos Mártires da Repressão Colonial.

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