O governador do Banco Nacional de Angola, José de Lima Massano, reiterou, nesta quinta-feira, ser necessário que os bancos comerciais desenvolvem capacidades para apoiar os esforços da diversificação da economia, em curso, com a concessão de crédito responsável.
José de Lima Massano, que procedeu a abertura das jornadas dos 45º aniversário do Trabalhador Bancário em Angola, a assinalar-se a 14 de Agosto, sublinhou que os créditos devem estar em alinhamento com o funcionamento dos bancos, suas políticas e processos a esse objectivo.
O sistema bancário, lembrou, joga um papel fundamental nesta fase em que se observa uma transição da economia excessivamente dependente das exportações do petróleo para uma mais assente na produção nacional diversificada, sustentável e inclusiva.
Desde 30 de Julho deste ano, 14 bancos já rubricaram a adesão ao Programa de Apoio ao Crédito (PAC).
Para esse programa, cujo objectivo é garantir que o país alcance a auto suficiência em 54 produtos, de modo a reduzir as importações e promover as exportações, o BDA tem disponíveis 60 mil milhões de kwanzas.
Das várias linhas de financiamento existentes, no âmbito do PAC, 216 projectos já foram aprovados.
O Banco Nacional de Angola (BNA) tem 68 projectos aprovados, nas linhas do BDA existem 131 aprovados e na linha do Deutsche Bank mil milhões de dólares disponíveis e quatro projectos aprovados.
Lembrando as etapas de desenvolvimento, desde a independência nacional, José Massano disse que o sector bancário apresenta um paradigma necessariamente muito dinâmico, requerendo, na realização da actividade de intermediação financeira, a criação de soluções, produtos e serviços financeiros sob critérios capazes de assegurar a confiança na guarda de poupanças e garantia de apoio monetários de iniciativas que promovam o crescimento nas mais variadas vertentes.
Com 26 bancos em operatividade, 23 dos quais privados e 108 instituições financeiras não bancárias, o sector conta com 25 mil colaboradores directos.
A acompanhar este desenvolvimento, o sector conta com uma taxa de bancarização que ronda os 40% da população, numa trajectória que tem sido crescente ao longo dos anos, segundo o governador do Banco Central.
Entre os mais variados desafios, com destaque para os efeitos causados pela Covid-19, o responsável afirma que o contexto actual concide com um maior rigor a nível do quadro regulatório e de supervisão das instituições financeiras, as novas exigências a nível comportamental e de protecção dos consumidores, o reforço do sistema de governação corporativa e a transição para uma banca mais digital.
No capítulo da regulação e supervisão, o regulador considera que os bancos enfrentam um quadro exigente, no âmbito de um modelo, hoje, mais activo, transversal e prospectivo, com enfoque na apreciação rigorosa do risco e a institucionalização de novos instrumentos e acções de supervisão, adoptando critérios universalmente aceites de boas práticas.
“O sector bancário pela sua importância na economia é, de todos os sectores, o mais escrutinado, regulado e supervisionado”, apontou.
Banca digital
Para José Massano, a inovação tecnológica trouxe grandes alterações em todos os aspectos da vida, incluindo o financeiro, que se vem traduzindo também no uso massivo de dispositivos móveis que figuram no centro da revolução tecnológico-financeira.
À esse desafio de inovação, acrescenta, a aprovação, em Julho deste ano, da nova Lei do Sistema de Pagamentos, que vai permitir a implementação do pacote regulatório que visa garantir a efectivação da segurança, eficiência, concorrência e a protecção de dados tendente a proporcionar um ambiente da banca digital seguro.
Na mesma senda, o Banco Central desenvolveu o Laboratório de Inovação do Sistema de Pagamentos (LISPA), para uma melhor gestão de riscos, promoção da inovação, potenciação da oferta de produtos e serviços financeiros diversificados ao consumidor.
A iniciativa vai ajudar, de igual modo, no impulso da inclusão financeira, em Angola.
As jornadas do Dia do Trabalhador Bancário em Angola decorrem sob lema “Banca, 45 anos: ontem, hoje e amanhã”.
Aos trabalhadores pede que continuem a trabalhar com profissionalismo e rigor, para que sejam alcançados os objectivos de se ter um sistema financeiro moderno ao serviço dos cidadãos e da economia.

