Alguns munícipes do Cazengo, sede da província do Cuanza Norte, manifestam-se discordantes com a medida do Governo de manutenção da cerca sanitária imposta à circunscrição para mais 30 dias, isto até ao dia 8 de Setembro do ano em curso, apesar da região encontrar-se há mais de um mês, sem registo de casos novos de Covid-19.
Numa ronda efectuada pela Angop hoje, segunda-feira, cidadãos interpelados manifestaram preocupação perante os constrangimentos, do ponto de vista da livre circulação, trocas comerciais e aquisição de bens essenciais, provocados pela manutenção da cerca sanitária por mais 30 dias para o município de Cazengo.
O comerciante de materiais de construção, Abdene Hedal, disse que estava expectante com o fim da cerca sanitária imposta ao município e que a sua manutenção está a provocar enormes prejuízos nos negócios, uma vez que não consegue viajar para outros pontos do país para aquisição de novas mercadorias e vê o seu comércio restringido aos clientes da cidade de Ndalatando.
Já o cidadão Matondo Luís sente-se preocupado com a medida do Governo em manter a cerca sanitária, dado que a região está há mais de 30 dias sem o registo de novos casos de Covid-19, realidade que vai prejudicar a situação das famílias e dos comerciantes, sobretudo no que concerne ao abastecimento do mercado local com produtos do campo, oriundos dos municípios do interior da província.
Para o mecânico Lourenço Sebastião, a manutenção da cerca sanitária no município de Cazengo está a criar enormes transtornos na sua actividade devido à escassez de acessórios para reparação de viaturas no mercado local.
Por sua vez, a directora do Gabinete Provincial de Saúde, Maria Filomena Wilson, esclareceu que as autoridades sanitárias locais têm controlada a situação da Covid-19 na província, que não regista casos da doença há mais de 30 dias e anunciou terem sido recuperados os 17 casos positivos diagnosticados no município, que se encontra sob cerca sanitária desde o dia nove de Julho de 2020.
A responsável referiu que a medida de manutenção da cerca sanitária para o município sede do Cuanza Norte resultou de uma decisão de nível central.
Indicou a realização de 1.700 testes rápidos da Covid-19, durante o mês de Julho último, dos quais 104 expressaram a probabilidade dos implicados terem entrado em contacto com o vírus da Covid-19 (casos reactivos ao teste rápido), 67 mostraram que já ganharam imunidade (IGG), 26 manifestaram que ainda têm o vírus no organismo (IGM) e 11 indicaram estarem na fase de transição entre a infecção activa e a imunidade (IGG+IGM).
Após 30 dias de confinamento, a província de Luanda e o município do Cazengo (sede do Cuanza Norte) viram prorrogadas as cercas sanitárias a que estavam submetidas para mais 30 dias, de 10 de Agosto a oito (8) de Setembro do ano em curso.

