Moscovo anunciou na quinta-feira uma “pausa operacional” na Ucrânia para as tropas russas restabelecerem as capacidades de combate, uma informação já contraiada pelo Instituto para o Estudo da Guerra dos Estados Unidos.

“As unidades que efetuaram missões de combate durante a operação militar especial estão a tomar medidas para reabastecer as capacidades de combate. Os militares têm a oportunidade de relaxar, receber cartas e encomendas de casa”, escreveu num comunicado o porta-voz do ministério da Defesa russo, Igor Konashenkov, citado pela agência de notícias Europa Press.
Konashenkov não especificou a duração prevista para este intervalo ou em que áreas de combate está a ser implementado.
Por outro lado, o Instituto para o Estudo da Guerra, dos Estados Unidos, (Institute for the Study of War; ISW) assegurou que as forças russas não cessaram as hostilidades e “é improvável que o façam”.
“As forças russas ainda realizaram ofensivas terrestres limitadas e ataques aéreos, de artilharia e com mísseis, em todos os eixos a 07 de Julho, e é provável que se continuem a limitar a ações ofensivas de pequena escala à medida que restabelecem as forças e as condições para uma ofensiva mais significativa”, disse o ISW na rede social Twitter.
Numa entrevista com o antigo advogado Mark Feigin – conhecido pelo ativismo contra o Presidente russo Vladimir Putin – , publicada na plataforma Youtube, o conselheiro presidencial ucraniano Oleksiy Arestovych realçou que ataques ucranianos a armazéns russos levaram as tropas russas a fazer uma pausa.
“Os ataques aos armazéns enfraqueceram significativamente a capacidade de o fazer de uma forma rápida e organizada. (…) As suas reservas estão diminuídas e irão diminuir”, explicou Arestovych, em declarações divulgadas pela emissora ucraniana TCH.
“O ritmo da ofensiva abrandou”, notou.
Indonésia pede à Rússia fim da guerra em reunião preparatória da cimeira do G20
A ministra dos Negócios Estrangeiros da Indonésia, país anfitrião da reunião anual do G20, apelou hoje ao fim da guerra contra a Ucrânia, na presença do homólogo russo, Serguei Lavrov.
“É nossa responsabilidade acabar com a guerra o mais rápido possível e resolver as nossas diferenças na mesa de negociações, não no campo de batalha”, disse Retno Marsudi na abertura de uma reunião preparatória para a cimeira do G20 (as 19 maiores economias do mundo mais a UE) ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros.
A reunião anual do G20 está agendada para 15 e 16 de novembro em Bali, na Indonésia.
Na quinta-feira, a União Europeia (UE) disse querer ver a Rússia afastada deste encontro, por considerar que a participação de Moscovo “ameaça a credibilidade” do grupo.
“A participação da Rússia a alto nível pode constituir uma ameaça à credibilidade, eficácia e relevância do G20”, disse, na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, a porta-voz para a Política Externa, Nabila Massrali.
A Indonésia, que preside atualmente ao G20, convidou o Presidente russo, Vladimir Putin, para participar na reunião de líderes dos países que integram o grupo.
A porta-voz do executivo comunitário indicou que a UE não tenciona boicotar o encontro.
Jacarta convidou também o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, apesar do país não integrar o o G20.
Federação Russa controla 22% das terras agrícolas ucranianas
A Federação Russa controla 22% das terras agrícolas ucranianas e a invasão russa ameaça as colheitas deste verão, o que vai agravar a crise alimentar mundial, estimam investigadores da NASA.
“O celeiro do mundo está em guerra” e “estamos no primeiro estádio de uma crise alimentar que vai provavelmente afetar todos os países e cada pessoa no mundo de uma certa maneira”, disse Inbal Becker-Reshef, diretora do programa da agência espacial dos EUA para as colheitas.
Segundo imagens de satélite obtidas em 13 de junho, pela missão Sentinel-2 da Agência Espacial Europeia e analisada por aquele programa, 22% das terras agrícolas da Ucrânia estão sob controlo dos russos no leste e sul do país.
Isto inclui 28% dos cereais de inverno (trigo, cevada e centeio) e 18% da colheita de verão (milho e girassol), avançou a NASA na sua nota.
Antes da invasão russa, em 24 de fevereiro, a Ucrânia representava 46% do óleo de girassol, nove por cento das exportações de trio, 17% de cevada e 12% de trigo, segundo o Departamento da Agricultura dos EUA.
O período entre julho e outubro é particularmente importante para os agricultores ucranianos, que colhem os cereais de inverno e os plantados na primavera. Os cereais de inverno a colher no próximo ano devem ser semeados antes de novembro.
Mas os agricultores estão desamparados face à escalada dos preços do combustível e dos fertilizantes e à ameaça dos bombardeamentos dos seus campos.
A principal associação de produtores e exportadores ucranianos estima que as colheitas se reduzam em 40% para o trigo e 30% para o milho.
A Ucrânia está também a sofrer um bloqueio naval russo que a impede de exportar as suas colheitas por navio, observou Sergueï Skakoune, investigador da NASA e da Universidade de Maryland.
O bloqueio do Mar de Azov e dos portos ucranianos no Mar Negro impediu o acesso ao mercado de mais de 25 milhões de grãos (todos os produtos considerados), o que provocou a subida dos preços e a ameaça de fome para milhões de pessoas no mundo.
Lusa

