O Presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE), Hélder de Jesus Adão, informou hoje, em Luanda, que “a instituição não reúne condições financeiras para se proceder a um aumento salarial na ordem dos 100 por cento, conforme exigências da comissão sindical”.

Falando em conferência de imprensa sobre os pontos constantes no Caderno Reivindicativo que os funcionários da ENDE remeteram à sua Direcção, disse que as partes já chegaram a acordo em 14 dos pontos apresentados pelos funcionários, restando o 15, que tem a ver com um aumento salarial na ordem de 100 porcento.
O responsável adiantou que dos 14 pontos resolvidos se destacam os subsídios de alimentação, transporte, renda de casa e funeral, bem como a não terciarização dos serviços de saúde, melhor distribuição de material de segurança no trabalho, além de proporem a indicação de alguns trabalhadores para cargos de chefia.
Na ocasião, o PCA recordou que, no mês de Junho, o sindicato já havia apresentado um primeiro Caderno Reivindicativo com cinco pontos, reclamando sobretudo por assistência médica e pela disparidade salarial resultante da fusão entre as extintas EDEL e a ENE, o que deu origem à ENDE. “Os cinco pontos foram satisfeitos”, disse.
Para o actual caderno com 15 pontos submetidos pelos funcionários, resta atender o referente ao incremento de 100 porcento nos seus ordenados. Na visão do Conselho de Administração, adiantou, “não há condições para satisfizer este pedido, dado os baixos níveis de arrecadação de receitas e a elevada dívida com os clientes”.
Segundo Hélder Adão, a ENDE paga mensalmente 10 mil milhões de kwanzas à RNT para obter energia eléctrica e, ao vender aos seus clientes, só arrecada oito a seis mil milhões de kwanzas/mês.
“Nesta altura estamos com uma divida com a RNT de 250 mil milhões de kwanzas, resultante também do passivo herdado da EDEL e ENE, bem como dos clientes devedores”, revelou Hélder de Jesus Adão, sublinhando que a ENDE compra a energia à RNT a 11,6 kwanzas – o quilowatts/hora.
E ao vender, esclareceu, tem clientes que, pela sua estratificação social, pagam o kilowatt/hora a 2,4 kwanzas.
“Estes representam 4%. Os que pagam o quilowatt/hora a 4,5 kwanzas representam 80%, sendo os restantes instituições como hospitais, escolas, universidades, órgãos de Comunicação Social e outras organizações públicas com pagamentos em atrasos e que têm um peso grande na dívida dessa distribuidora de electricidade.
Segundo o gestor, o custo operacional da ENDE é muito alto, a julgar com os quatro mil 511 trabalhadores existentes, com um salário mínimo de 124 mil kwanzas (o Estafeta), mas ainda assim há um bom senso da Direcção em melhorar as condições dos trabalhadores, particularmente os salários.
Entretanto, o Presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade aventou que a situação pode ser minimizada com a instalação de um milhão e 200 mil contadores pré-pagos, superando os 652 mil existentes e 400 mil clientes que pagam por estimativa, do total de 1.700 mil clientes.
De acordo com uma “Nota-Declaração de Greve” a que a Angop teve acesso, hoje, depois de reunida no dia 31 de Julho deste ano, a Assembleia-Geral de trabalhadores, determinou que “se não forem atendidos todos os pontos reivindicados, observar-se-á uma paragem de seis dias, com início a 9 do corrente mês de Agosto.
Angop

