A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou esta terça-feira que milhares de civis na República Centro Africana (RCA) estão em “perigo iminente” devido à novos focos de violência entre o Governo e os rebeldes, a cerca de 300 quilómetros da capital, Bangui.

“Durante a última semana, as vidas de milhares de civis têm estado em perigo iminente devido à violência armada constante em Alindao, onde certos grupos da população têm sido particularmente visados”, disse o Gabinete das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários (OCHA), numa declaração citada pela agência France Presse.
De acordo com o comunicado, estas pessoas “vivem no medo e com traumas, estão agora isoladas das suas fontes de rendimento, e a comida está a tornar-se cada vez mais escassa”.
A 30 de Junho, um ataque lançado em Alindao por rebeldes da Unidade para a Paz na República Centro Africana (UPC), um dos principais grupos armados da região, resultou na morte de sete pessoas, segundo o porta-voz da Missão das Nações Unidas no país (Minusca). Entre os mortos estavam dois civis, indicou o OCHA.
Milhares de pessoas foram deslocadas, várias casas foram queimadas e os bens saqueados, segundo a OCHA, que avisa que “a crescente insegurança está a impedir a assistência às pessoas afetadas por esta nova violência” e apela a todas as partes para “porem fim a toda a violência contra civis, infraestruturas e agentes humanitários e respeitar o direito humanitário internacional”.
A RCA caiu no caos e na violência em 2013, após o derrube do então presidente, François Bozizé, por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas na anti-Balaka.
Desde então, o território centro-africano tem sido palco de confrontos comunitários entre estes grupos, que obrigaram quase um quarto dos 4,7 milhões de habitantes da RCA a abandonarem as suas casas.
Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores, Téte António, descolou-se à cidade de Bangui, onde foi recebido pelo Presidente Faustin-Archange Touadéra.
De acordo com um a nota do ministério das Relações Exteriores (Mirex) a que a ANGOP teve acesso, o ministro Téte António deslocou-se à capital centro-africana na qualidade de Enviado Especial do Presidente da República de Angola e em exercício da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), João Lourenço, com objectivo de abordar os últimos desenvolvimentos no âmbito do processo de pacificação da RCA.

