Uma actividade política da UNITA, realizada no âmbito da terceira edição do Acampamento Nacional da JURA, terminou no sábado 8, no município do Uíge, com momentos de tensão entre militantes do partido e as forças de segurança.

A controvérsia começou com uma divergência entre a UNITA e a Administração Municipal do Uíge sobre o local destinado à realização do acto político. Segundo o secretário-geral da UNITA, Liberty Chiyaka, o partido havia solicitado a utilização da Praça da Rádio e do Largo do Moreno, mas os pedidos não foram aceites pelas autoridades.
O dirigente afirmou que a Administração Municipal indicou outro espaço para a realização da actividade, considerando, contudo, que o local proposto não reunia condições adequadas.
“Como é possível que o MPLA é que tem de indicar onde a UNITA vai fazer a sua actividade?”, questionou o secretário-geral da UNITA, citado durante a reportagem.
Por sua vez, o porta-voz do Comando Provincial da Polícia Nacional no Uíge afirmou que as forças de segurança foram mobilizadas depois de os militantes tentarem realizar o acto num local considerado impróprio pelas autoridades, nomeadamente nas proximidades de órgãos de soberania.
Segundo a Polícia, a realização da actividade naquele espaço poderia implicar o encerramento de vias públicas, situação que as autoridades consideraram inadequada.
O acto político central, previsto para as 13 horas e que deveria ser presidido pelo presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, acabou por não decorrer conforme inicialmente programado.
A situação agravou-se quando, segundo a reportagem, alguns participantes impediram profissionais de órgãos de comunicação social de efectuar a cobertura jornalística da actividade. Os jornalistas terão sido retirados do local sob ameaças e alegados discursos de ódio.
Momentos de tensão foram igualmente registados nas imediações da Rua 1.º de Agosto, junto ao Mercado Municipal do Uíge, ao Tribunal da Comarca e ao Comité Provincial da UNITA.
De acordo com a Polícia Nacional, alguns manifestantes terão protagonizado actos de arruaça e tentativas de vandalização de bens públicos, obrigando as forças de segurança a efectuar disparos para dispersar os participantes.
A Polícia apelou aos militantes e simpatizantes dos partidos políticos para que evitem comportamentos susceptíveis de provocar confrontos e perturbar a ordem pública.
Apesar dos incidentes registados durante a actividade, a situação nas principais ruas da cidade do Uíge voltou à normalidade, com a população a retomar as suas actividades.

