A Associação Industrial de Angola (AIA) presente na 41.ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA 2026) defendeu, esta terça-feira, a adopção de medidas que reforcem o papel das pequenas e médias empresas (PME) na economia nacional, com destaque para a revisão do regime fiscal, a facilitação do acesso ao crédito e o aproveitamento das infra-estruturas industriais existentes.

O representante da Associação Industrial de Angola (AIA), Horácio Muniz, considerou urgente a revisão da Lei das Pequenas e Médias Empresas, argumentando que o actual enquadramento legal não responde às necessidades do sector.
Segundo o responsável, as PME desempenham um papel determinante no desenvolvimento económico, à semelhança do que acontece em vários países que participaram na FILDA com delegações compostas maioritariamente por micro, pequenas e médias empresas.
Horácio Muniz defendeu igualmente um regime fiscal diferenciado para estas empresas, propondo a redução do Imposto Industrial para metade da taxa actualmente aplicada às grandes empresas. Na sua perspectiva, a medida permitiria aumentar a capacidade de investimento das PME, desde que a poupança fiscal fosse reinvestida na expansão da actividade produtiva e na criação de novas unidades fabris.
Também o empresário do sector da madeira, João Macaia, sublinhou a importância do financiamento bancário para impulsionar o crescimento das pequenas e médias empresas. O industrial considerou que as políticas de restrição às importações de portas e janelas contribuíram para criar espaço para a produção nacional, permitindo que os fabricantes angolanos conquistassem uma maior quota do mercado.
João Macaia afirmou ainda que os consumidores demonstram um interesse crescente pelos produtos produzidos em Angola, salientando que o país dispõe de mão-de-obra qualificada e de capacidade produtiva, embora continue a enfrentar limitações relacionadas com o financiamento e o apoio ao sector empresarial.
Por sua vez, o director do Gabinete Provincial de Desenvolvimento Económico Integrado da Huíla, Domingos Scalumana, destacou o potencial económico da província, referindo a existência de activos industriais capazes de gerar novos investimentos e dinamizar o tecido empresarial.
Entre as oportunidades identificadas, apontou as câmaras de congelação e conservação, as unidades de processamento de tomate e outras infra-estruturas que poderão ser reactivadas através de parcerias entre os sectores público e privado. Referiu igualmente a indústria de transformação de granitos, um dos principais produtos de exportação da província da Huíla.
As declarações foram prestadas durante a 41.ª edição da FILDA, certame que reúne empresas nacionais e estrangeiras e continua a afirmar-se como uma das principais plataformas de promoção do investimento, da industrialização e da diversificação da economia angolana.

