Quarta-feira, 22 de Julho, 2026

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Pelo menos 189 crianças morreram no surto de ébola na República Democrática do Congo

Pelo menos 189 crianças morreram no surto de Ébola declarado em 15 de maio no leste da República Democrática do Congo (RDCongo), enquanto milhares de outras precisam de apoio psicológico.

Segundo a organização Save the Children, desde que a epidemia foi declarada na província congolesa de Ituri, na fronteira com o Uganda e o Sudão do Sul e epicentro do surto, cerca de 476 crianças contraíram a doença.

De acordo com a organização, as crianças falecidas representam cerca de um quinto das mortes confirmadas nesta epidemia até o momento.

A Organização Não Governamental (ONG) está atualmente a oferecer apoio psicossocial a mais de 4.000 crianças em Ituri, onde a Save the Children criou espaços seguros para que possam brincar, descansar e começar a recuperar do medo, da tristeza e da ansiedade.

A doença mudou a forma como algumas crianças interagem entre si e com os adultos, já que muitas evitam o contacto próximo e mantêm distância dos outros, segundo os funcionários da organização que atuam na região.

A Save the Children também alertou que algumas crianças precisarão de cuidados temporários fora das suas famílias, após serem separadas de seus pais ou responsáveis legais devido a doenças, isolamento, abandono ou morte.

“As crianças em Ituri carregam um enorme fardo emocional. Muitas testemunharam violência, perderam entes queridos para o surto de Ébola ou foram obrigadas a deslocações repetidas”, disse Babou Rukengeza, coordenador da resposta ao Ébola da ONG na RDCongo.

“Espaços seguros oferecem-lhes um ambiente onde podem expressar-se, recuperar a confiança e simplesmente voltar a ser crianças”, acrescentou.

A organização frisou que o surto representa uma “segunda crise” para muitas crianças já deslocadas pela violência no leste do Congo, uma região afetada há décadas por conflitos entre grupos armados e o exército.

Nesse sentido, alertou que o stresse prolongado durante a infância pode ter consequências duradouras no desenvolvimento cognitivo, no bem-estar emocional e na saúde física e mental a longo prazo das crianças, caso não recebam apoio adequado.

De acordo com o último boletim do governo, a República Democrática do Congo registou 2.423 casos confirmados de Ébola, incluindo 967 mortes, o que coloca a taxa de letalidade em 39,9%.

A epidemia está associada à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera “elevado” o risco de propagação do surto na África subsaariana e “baixo” à escala global.

Esta é a terceira pior epidemia de Ébola da história e a 17.ª a afetar a República Democrática do Congo.

O vírus Ébola é transmitido por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.

Lusa

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