Pelo menos trinta pessoas foram mortas em Kiev, segundo um balanço divulgado hoje pelas equipas de socorro, no pior ataque com drones e mísseis russos contra a capital ucraniana desde o início da guerra.

Kiev prometeu na quinta-feira retaliar contra Moscovo, que anunciou a intenção de prosseguir com os ataques.
“A Rússia ataca alvos civis apenas para obrigar a Ucrânia a renunciar ao seu Estado”, afirmou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que se deslocou ao local dos bombardeamentos, garantindo que a Ucrânia irá retaliar.
Mais de quatro anos após o início da invasão do país pelo exército russo, Moscovo lança regularmente ataques massivos, envolvendo centenas de drones e dezenas de mísseis, contra a Ucrânia e a capital.
Kiev, com meios muito mais limitados, nomeadamente em termos de mísseis, também intensificou os ataques contra o território russo, infligindo golpes, em particular, no setor petrolífero.
Na noite de quarta para quinta-feira, a Ucrânia foi alvo de 496 ataques com drones e de 74 com mísseis de diferentes tipos, dos quais 476 e 48, respetivamente, foram intercetados, segundo a Força Aérea ucraniana.
Kiev foi alvo de ataques específicos. Jornalistas da AFP ouviram explosões durante várias horas e o alerta aéreo durou mais de 11 horas seguidas.
Após a descoberta de três novos corpos nos escombros, o balanço do ataque voltou hoje a ser revisto em alta, para 30 mortos, segundo os serviços de emergência da capital.
O chefe da administração militar de Kiev, Tymour Tkachenko, tinha, pouco antes, anunciado o registo de 27 mortos e 91 feridos.
Partes inteiras de edifícios residenciais ruíram, um edifício que albergava ambulâncias foi atingido e, segundo a porta-voz da União Europeia, Anitta Hipper, os escombros caíram sobre um edifício que “albergava vários diplomatas”.
Um dos principais armazéns da Cruz Vermelha ucraniana, que continha ajuda humanitária, também foi “destruído”.
Trata-se do ataque “mais massivo” contra a capital desde o início da invasão russa da Ucrânia em 2022, afirmou o presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko, que declarou hoje um “dia de luto”.
“A Rússia vai continuar a aumentar a pressão sobre o regime de Kiev para conseguir alcançar os objetivos a que se propôs”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a jornalistas, entre os quais da agência France-Presse (AFP).
Zelensky exortou, por seu lado, os aliados da Ucrânia a fornecerem mais meios de defesa antiaérea ao país. O chefe de Estado manifestou ainda a esperança de que o assunto seja abordado na cimeira da NATO, prevista para os próximos dias 07 e 08 em Ancara.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, que, desde o regresso ao poder, tem vindo a envidar esforços para mediar o conflito, afirmou desejar um acordo de paz entre Kiev e Moscovo para pôr fim aos “massacres sem sentido”.
Segundo Berlim, o ataque russo sublinha que “Putin não demonstra qualquer vontade de negociar”. Paris também denunciou a “obstinação” de Moscovo em prosseguir a guerra.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, “condenou veementemente” o ataque e apelou à “desescalada” e a um cessar-fogo.
Já o Ministério da Defesa russo referiu-se a um “ataque massivo” levado a cabo “em resposta aos ataques terroristas do regime de Kiev contra infraestruturas civis”, assegurando que os alvos dos ataques contra Kiev e contra a região da capital foram “empresas da indústria militar e instalações energéticas”.
Nas ruas de Kiev, os habitantes acorreram aos abrigos, alguns com colchões debaixo do braço. Cerca de 52.000 pessoas, incluindo 4.500 crianças, refugiaram-se no metro, no maior afluxo registado durante a noite nos últimos anos, segundo o operador do metro da capital.
Em retaliação aos ataques russos, a Ucrânia intensificou os ataques contra refinarias e depósitos de petróleo na Rússia, provocando escassez de combustível no país.
Na noite de quarta para quinta-feira, na Rússia, um civil foi morto na região de Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, e outro na região de Nijni Novgorod, a 400 quilómetros a leste de Moscovo, em ataques com drones, segundo as autoridades locais russas.
Lusa

