O pré-candidato à liderança do MPLA, António Venâncio, denunciou hoje dificuldades para realizar o seu trabalho de mobilização e sensibilização dos militantes, admitindo a possibilidade de integrar outro partido caso a sua candidatura não chegue ao congresso.

“A minha participação para melhorar Angola é incondicional, no partido, fora do partido, eu quero participar para melhorar a vida dos angolanos, essa é que é a base”, disse António Venâncio em conferência de imprensa, na qual avançou o ponto de situação do seu processo de candidatura à liderança do Movimento Popular de libertação de Angola (MPLA).
O MPLA realiza, de 09 a 10 de dezembro deste ano, o IX congresso do partido, sendo pré-candidatos o atual líder da organização política, João Lourenço, António Venâncio, Higino Carneiro, José de Almeida e Valdir Cónego.
Segundo António Venâncio, militante há 53 anos, aguarda por respostas internas, declarando que vai usar todos os meios para atender às suas reclamações, por exemplo, recorrer ao Tribunal Constitucional.
António Venâncio disse que há 30 dias foi submetido à subcomissão de candidaturas um pedido de esclarecimentos adicionais sobre o processo, devido a supostas “derrapagens”, como a repentina alteração da data de validação dos processos em vários meses.
O pré-candidato à liderança do MPLA frisou que após convocado o congresso foi aberto o processo de formalização de candidaturas, sendo a Comissão Nacional Preparatória liderada pelo presidente do partido, que mais tarde anunciou a pretensão de concorrer à sua sucessão, sem se abdicar daquela condição.
“Fomos informados que um dos pretendentes ao cargo, o camarada presidente João Lourenço já havia recolhido mais de 11.000 subscrições de militantes, distribuídos em 21 províncias do país. Fomos todos apanhados de surpresa”, disse António Venâncio, acrescentando ainda que “em poucas horas após haverem sido distribuídas as fichas de subscrição já havia milhares delas assinadas”.
De acordo com António Venâncio, foi também solicitado esclarecimento sobre a realização de marchas de apoio a um dos pré-candidatos, “com recurso a meios de informação e apoio técnico-material provenientes da direção do partido, quer central, provincial, municipal e até comunal”.
Estas alterações e apoios, reforçou António Venâncio, têm dificultado o seu trabalho de mobilização e sensibilização dos militantes, acarretando gastos financeiros adicionais, com o orçamento para cobrir as despesas adicionais a disparar para mais de 106 milhões de kwanzas (mais de 99 mil euros).
“Todos aguardamos pelas respostas dos órgãos internos, e, como sempre, manifestamos a nossa confiança no processo, acreditando que o presidente da Comissão Nacional Preparatória mande corrigir os graves erros cometidos e oriente a subcomissão de candidaturas a repor o comboio nos carris”, disse.
António Venâncio frisou que os pré-candidatos vão fazer de tudo para estarem presentes no congresso, e caso não haja “impedimentos, obstruções, manipulação e até fraude”, os quatro vão estar no conclave.
“Nós não vamos aceitar, mais uma vez, esses impedimentos, obstáculos, obstruções e casos até de ameaças, casos de violência, de armas de fogo apontadas para os camaradas que estão a trabalhar nas candidaturas, não podemos admitir isso, tenham paciência, nós não vamos admitir isso, não foi para isso que lutámos e isso é mau sinal para o exterior”, afirmou.
Estas situações, prosseguiu António Venâncio, não intimidaram as equipas, reforçadas para conseguirem as 5.250 assinaturas de subscrição de militantes, o que pode ser alcançado em um mês, prevendo para final de julho a apresentação dos resultados.
“O que auguro para o nosso partido é que esse congresso seja histórico, o primeiro do género desde a independência do país. Estamos há mais de 50 anos sem fazer congressos com múltiplos candidatos, sempre foram congressos impostos, por aclamação, congressos com mais de 95%, não são congressos tidos como excelentes, verdadeiramente democráticos e livres, e será um sinal negativo se aparecermos em 2026 com um só candidato”, realçou.
O político descarta um cenário de divisão interna do partido, mas admite a existência de um pequeno grupo de resistência à mudança, aqueles que “na maior parte das vezes viveram à custa do partido”.
Lusa

