Segunda-feira, 25 de Maio, 2026

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Fundação 27 de Maio considera que Governo está a cumprir promessas ligadas à reconciliação nacional

O presidente da Fundação 27 de Maio, Silva Mateus, afirmou que o Governo angolano tem vindo a cumprir os compromissos assumidos no âmbito do processo de reconciliação nacional relacionado com os acontecimentos do 27 de Maio de 1977.

O Guardião

As declarações foram feitas durante uma intervenção pública em que o responsável destacou o trabalho desenvolvido pela CIVICOP, sublinhando que muitas das reivindicações históricas da associação estão a ser concretizadas.

Segundo Silva Mateus, a Fundação 27 de Maio existe há cerca de 25 anos e foi criada com o propósito de defender o reconhecimento das vítimas dos conflitos políticos e promover medidas de reconciliação entre os angolanos.

“O que a CIVICOP está a fazer vem de encontro com os nossos princípios e propósitos”, afirmou, acrescentando que vários pontos anteriormente defendidos pela associação estão agora a ser implementados pelo Estado.

Entre os aspectos referidos pelo responsável está a institucionalização de um dia de homenagem às vítimas dos conflitos políticos, medida que considera representar um avanço simbólico importante no processo de reconhecimento histórico.

Silva Mateus recordou que, em anos anteriores, algumas propostas defendidas pela fundação eram recebidas com cepticismo, mas considera que actualmente há maior abertura institucional para abordar o tema do 27 de Maio.

O presidente da fundação afirmou ainda integrar a CIVICOP enquanto representante dos chamados “nitistas, fraccionistas ou golpistas”, terminologia historicamente utilizada para descrever os alegados participantes dos acontecimentos de 1977.

O 27 de Maio continua a ser um dos episódios mais sensíveis da história política de Angola. O levantamento ocorrido em 1977 resultou numa violenta repressão política durante o consulado de Agostinho Neto, tendo provocado milhares de mortos e desaparecidos, segundo diferentes estimativas históricas.

Nos últimos anos, o Executivo liderado por João Lourenço tem promovido iniciativas de reconciliação nacional, incluindo pedidos públicos de desculpas do Estado, exumações, identificação de ossadas e entrega de restos mortais às famílias das vítimas.

Recentemente, centenas de ossadas retiradas de valas comuns começaram a ser entregues aos familiares, após processos de identificação por ADN conduzidos no âmbito da CIVICOP.

Analistas consideram que o processo representa uma tentativa do Estado angolano de enfrentar uma das páginas mais traumáticas da história contemporânea do país, embora persistam críticas e exigências de maior transparência por parte de algumas organizações cívicas e familiares das vítimas.

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