A Polícia Nacional garantiu, esta segunda-feira (11), que nenhum dos casos de suposto desaparecimento de órgãos genitais, registados recentemente em várias províncias do país, foi confirmado pelas autoridades, apelando à população para evitar alarmismo, desinformação e actos de justiça por mãos próprias.

Segundo o porta-voz da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), Quintino Ferreira, as investigações realizadas concluíram que, em todos os casos analisados, os órgãos genitais das alegadas vítimas encontravam-se intactos e funcionais.
Os relatos foram registados nas províncias da Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico e Luanda, provocando momentos de tensão social, agressões e detenções. De acordo com a Polícia Nacional, uma pessoa perdeu a vida durante actos de violência relacionados com os supostos roubos de órgãos genitais, enquanto outras 12 foram detidas por envolvimento em agressões e tumultos.
As autoridades explicam que muitos dos casos surgiram após rumores disseminados em comunidades e redes sociais, alimentando crenças associadas a práticas místicas e supersticiosas. Especialistas ouvidos nos últimos dias defendem que parte das ocorrências pode estar relacionada com fenómenos psicológicos conhecidos internacionalmente como “Síndrome de Koro”, transtorno marcado pelo medo irracional de retração ou desaparecimento dos órgãos genitais.
O fenómeno, já registado em alguns países africanos e asiáticos, costuma gerar pânico colectivo e episódios de violência comunitária, sobretudo em contextos de forte crença em feitiçaria ou práticas sobrenaturais.
Face ao clima de tensão criado em algumas localidades, a Polícia Nacional reforçou o apelo à calma, desencorajando agressões contra cidadãos acusados sem provas. Quintino Ferreira assegurou que as investigações prosseguem para responsabilizar criminalmente todos os envolvidos nos actos de violência.
Entretanto, o porta-voz da DIIP confirmou igualmente a detenção de um cidadão de nacionalidade indiana acusado de tentar subornar um agente policial para abandonar o país. O suspeito encontrava-se sob investigação por alegado envolvimento no desvio de fundos de uma empresa privada.
Nos últimos meses, a DIIP tem intensificado operações contra crimes económicos, associações criminosas, homicídios e esquemas de fraude financeira, numa altura em que as autoridades reforçam o combate à criminalidade organizada e aos actos de violência urbana.
As autoridades apelam à população para denunciar situações suspeitas às forças policiais e evitar a circulação de informações falsas que possam colocar vidas em risco ou provocar desordem pública.

