A Recredit recuperou mais de 30 mil milhões de kwanzas em 2025 no âmbito da recuperação de crédito malparado, superando as metas previamente estabelecidas. Dados oficiais indicam que a instituição conseguiu recuperar cerca de 30,8 mil milhões Kz, um desempenho alinhado com os resultados dos anos recentes, em que também ultrapassou objectivos anuais.

Esta recuperação insere-se no esforço contínuo do Estado angolano para reduzir o peso do crédito em incumprimento, sobretudo herdado do Banco de Poupança e Crédito (BPC), cujas carteiras problemáticas foram transferidas para a Recredit desde a sua criação em 2016.
Apesar do volume recuperado, o desempenho global da instituição continua limitado face à dimensão do problema. Desde o início das operações, a Recredit recuperou apenas cerca de 12% do total estimado das carteiras de crédito malparado, avaliadas em cerca de 1,2 biliões de kwanzas.
Um dos principais constrangimentos identificados pela direcção da empresa é a morosidade dos tribunais, que afecta directamente os processos em contencioso. No final de 2025, uma parte significativa dos casos — mais de uma centena — permanecia em litígio, representando dezenas de milhares de milhões de kwanzas ainda por resolver.
Outro dado relevante é que a maior parte das recuperações não ocorre em numerário. Cerca de 64% dos valores recuperados foram feitos por via de dação em cumprimento, ou seja, através da entrega de bens (como imóveis ou viaturas) em vez de pagamento directo em dinheiro.
Além disso, a instituição já começou a reconhecer perdas em alguns processos considerados irrecuperáveis, tendo acumulado mais de 55 mil milhões de kwanzas em créditos abatidos ao longo dos anos, o que evidencia os riscos e limitações do processo de recuperação.
Perante este cenário, a Recredit tem vindo a expandir o seu âmbito de actuação, passando também a prestar serviços de recuperação de crédito a bancos privados, numa tentativa de aumentar a eficiência e contribuir para a estabilidade do sistema financeiro nacional.

