O grupo xiita libanês Hezbollah rejeitou hoje a prorrogação do cessar-fogo no Líbano, anunciado pelo Presidente dos Estados Unidos, e anunciou que se reserva o direito de ripostar a quaisquer “atos de hostilidade” de Israel.

Prolongar o cessar-fogo “não faz sentido” perante os “atos de hostilidade” persistentes de Israel, que dão à “resistência o direito de ripostar no momento oportuno”, disse o deputado do Hezbollah Ali Fayyad num comunicado citado pela agência France-Presse (AFP).
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na quinta-feira uma prorrogação de três semanas do cessar-fogo no Líbano, que deveria expirar no domingo.
Em declarações também divulgadas pelo jornal libanês Al-Akhbar, considerado afeto ao Hezbollah, Fayyad disse que “o cessar-fogo não faz sentido perante a continuação dos atos hostis de assassínio, bombardeamento e disparos por parte de Israel”.
Ao comentar o anúncio de Trump, o deputado libanês denunciou a “aniquilação destrutiva contínua das aldeias e cidades fronteiriças libanesas”.
Criticou também a insistência de Israel na liberdade de movimento das suas tropas “sob o pretexto de perigos potenciais”.
Ali Fayyad disse que a situação reflete uma “insistência israelo-americana em tentar reativar a equação anterior a 02 de março” para “justificar negociações diretas e acelerar o seu ritmo entre o inimigo israelita e a autoridade libanesa”.
“Na prática, isto empurra para um compromisso de cessar-fogo o lado libanês, enquanto não impõe quaisquer obrigações, mesmo ao nível mínimo, ao lado israelita, algo com que a resistência não pode concordar”, afirmou.
O Hezbollah atacou Israel em 02 de março em retaliação pela morte do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, dois dias antes, quando Israel e os Estados Unidos atacaram Teerão, arrastando o Líbano para a guerra no Médio Oriente.
Fayyad insistiu que “cada ataque israelita contra qualquer alvo libanês, independentemente da natureza, confere à resistência o direito de responder proporcionalmente, de acordo com o contexto no terreno”.
O jornal Al-Akhbar acrescentou que o anúncio da extensão da trégua por Trump coincidiu com uma série de ataques aéreos.
“Após a meia-noite de quinta-feira, aviões de guerra e drones israelitas visaram edifícios civis e terrenos agrícolas no sul do Líbano”, referiu a publicação.
O exército israelita realizou também operações de bombardeamento e demolição nas localidades de Hanin, Ainata, Khiam e Bint Jbeil, enquanto as zonas de Bint Jbeil e Qantara foram alvo de fogo de artilharia, acrescentou.
Em vigor desde 17 de abril, mas regularmente violada pelos beligerantes, a trégua deveria terminar no domingo.
O conflito já causou mais de 2.400 mortos e um milhão de deslocados no Líbano desde 02 de março.
Trump assegurou que os Estados Unidos vão “colaborar com o Líbano de forma a ajudá-lo a proteger-se contra o Hezbollah”.
A organização xiita prossegue as operações no sul do Líbano, onde Israel pretende criar uma “zona de segurança” à custa da destruição de aldeias e de bombardeamentos, acrescentou a AFP.
Lusa/

