O Líder Supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, declarou esta quinta-feira, numa mensagem escrita, que a República Islâmica não deseja uma guerra contra Israel e os Estados Unidos, mas que não renuncia aos seus “direitos legítimos”.

“Não procuramos a guerra e não a queremos”, afirmou Mojtaba Khamenei na mensagem, lida na televisão estatal 40 dias após o assassinato do pai, ayatollah Ali Khamenei, no primeiro dia do conflito iniciado pelos ataques de Israel e Estados Unidos a 28 de fevereiro contra o regime teocrático.
“Mas em caso algum renunciaremos aos nossos direitos legítimos e, nesse sentido, consideramos toda a frente de resistência como uma única entidade”, acrescentou Mojtaba Khamenei, referindo-se ao conflito no Líbano, onde Israel está em guerra com o movimento pró-iraniano Hezbollah.
Após ameaças de aniquilação feitas pelo Presidente Donald Trump, o Irão concordou esta semana com um frágil acordo de cessar-fogo de duas semanas com os Estados Unidos e as duas partes têm negociações agendadas no Paquistão sexta-feira.
Mojtaba Khamenei, ferido num ataque e sem aparições públicas desde a nomeação no início de março, pediu aos iranianos que “não imaginem que já não é necessário sair à rua após o anúncio de negociações com o inimigo”.
“Os vossos protestos nas praças públicas influenciam certamente o resultado das negociações”, afirmou.
Milhares de iranianos homenagearam hoje o ex-líder supremo Ali Khamenei nas ruas de várias cidades, apelando para que não se caia na armadilha norte-americana antes das conversações no Paquistão.
Em contrapartida, o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, participou na homenagem e tirou fotografias com os participantes, segundo imagens da televisão estatal.
A homenagem nacional começou às 09:40 (07:10 em Lisboa). A 28 de fevereiro, à mesma hora, vários ataques mataram Ali Khamenei na residência em Teerão, juntamente com dezenas de altos oficiais e dirigentes do regime.
Os bombardeamentos marcaram o início de um conflito que depois incendiou todo o Médio Oriente, com o Irão a ripostar com ataques sobre Israel e o golfo Pérsico.
Lusa

