Sexta-feira, 3 de Abril, 2026

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Médio Oriente: África pode perder 0,2% do PIB se conflito durar mais de seis meses

África poderá perder pelo menos 0,2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) se o conflito atual no Médio Oriente se prolongar mais de seis meses, segundo um relatório de organizações internacionais apresentado hoje em Marrocos. 

Os cálculos são do Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), União Africana (UA), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento através do seu Escritório Regional para África (PNUD) e Comissão Económica das Nações Unidas para África (CEA) e foram apresentados durante a 58.ª sessão da Comissão Económica para África na cidade marroquina de Tânger.

No documento, frisam que, para alguns países africanos, o impacto da falta de acesso a fertilizantes pode ter consequências mais graves do que a crise dos combustíveis, consequência direta do encerramento quase total do Estreito de Ormuz por parte do Irão, como retaliação pelos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o território iraniano.

É pelo Estreito de Ormuz que circula grande parte do petróleo mundial mas também de outras matérias primas.

“O conflito em curso no Médio Oriente representa um grave risco para África, já que a maioria dos países continua a crescer a taxas inferiores às do período pré-pandemia”, indicam no documento, que especifica que a magnitude do impacto nos países africanos varia consoante o seu nível de dependência das importações e das condições do mercado global.

De forma geral, o relatório indica que qualquer interrupção no fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) proveniente do Golfo Pérsico afeta a produção de amoníaco e ureia, encarece os fertilizantes e reduz a sua disponibilidade durante a época das plantações, que vai de março a maio, “pressionando assim os preços dos alimentos e afetando duramente as famílias mais vulneráveis em África”.

Por outro lado, África depende, em grande medida, do Médio Oriente para o seu comércio uma vez que esta região representa 15,8% das suas importações e 10,9% das suas exportações.

O documento também aponta que o conflito pode ser benéfico para alguns países, que poderão “registar benefícios a curto prazo devido aos altos preços das matérias-primas, ao desvio por rotas comerciais alternativas e à reorientação logística”.

A Nigéria é citada como um desses exemplos, podendo beneficiar da subida de preços do petróleo, enquanto Moçambique pode usufruir do impulso do GNL e do maior tráfego pelo porto de Maputo. 

Outros portos africanos – como o de Durban na África do Sul, o de Walvis Bay na Namíbia e o porto das Maurícias – também aumentaram a sua atividade devido ao desvio de rotas em redor do Cabo da Boa Esperança.

“No entanto, os analistas alertam que estes benefícios serão desiguais e não compensarão as pressões inflacionistas, fiscais e sobre a segurança alimentar que o continente enfrenta”, lê-se ainda no relatório.

Lusa

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