O Presidente francês declarou hoje que França “não foi consultada” sobre o início da guerra contra o Irão e rejeitou participar nela, em resposta às críticas do seu homólogo norte-americano à zona de exclusão aérea francesa.

“É absolutamente verdade que a França, que não foi consultada e não faz parte desta ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos e por Israel, não está a participar nesta. Mas isto não é novidade. É esta a verdade desde o primeiro dia, assim, não há motivo para a surpresa”, disse o Emmanuel Macron numa entrevista transmitida pelo canal japonês NHK durante a sua visita a Tóquio.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, acusou na terça-feira a França de ser “muito pouco cooperante” na guerra, lamentando que o país “não tenha permitido que aviões que transportassem equipamento militar sobrevoassem o território francês com destino a Israel”.
A Presidência francesa já tinha manifestado o seu espanto perante esta declaração, confirmando que esta era “a posição de França desde o início deste conflito”.
Emmanuel Macron reiterou o seu apelo “à paz, à desescalada e ao retomar das negociações, que são as únicas capazes de resolver as questões fundamentais”.
“Nada seria pior do que bombardear a região durante semanas a fio e depois se retirar sem que um plano seja novamente restabelecido. O que a França defende é precisamente isso: um plano exigente para a cooperação”, explicou.
Macron pediu ainda “a reabertura ordenada e pacífica do Estreito de Ormuz, em consulta com todas as partes interessadas”.
O bloqueio desta passagem marítima no Golfo, devido à retaliação iraniana, está a impedir o trânsito de petróleo, afetando as economias de muitos países, incluindo o Japão, que é altamente dependente do crude importado do Médio Oriente.
Segundo o Presidente francês, a França e o Japão, “juntamente com vários outros países da Ásia, do Médio Oriente e da Europa, podem desempenhar um papel para garantir a continuidade do trânsito através do Estreito de Ormuz”.
Macron esclareceu ainda que este papel, “de forma alguma”, iria optar por uma “opção militar” para o desfecho da situação.
“Podemos fazê-lo precisamente porque não fazemos parte desta guerra”, afirmou o líder francês.
Os Estados Unidos e Israel lançaram uma guerra contra a República Islâmica em 28 de fevereiro, que continua com ataques diários contra o Irão, que respondeu com bombardeamentos a instalações norte-americanas na região do Golfo, assim como a infraestruturas energéticas, e com o encerramento do Estreito de Ormuz.
Lusa

