O presidente do parlamento do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, garantiu que não está a negociar com os Estados Unidos (EUA), rejeitando uma alegação feita pelo chefe de Estado norte-americano, Donald Trump.

Numa entrevista ao jornal New York Post, publicada na segunda-feira, Trump afirmou que os EUA estão em conversações com Ghalibaf, antigo comandante da Guarda Revolucionária iraniana.
Mas o líder do parlamento do Irão negou numa mensagem publicada na rede social X quaisquer contactos diretos, o que também foi reiterado por um porta-voz do ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baqaei.
Baqaei disse que não tinha ocorrido qualquer negociação, embora tenha confirmado que intermediários entregaram um conjunto de propostas ao Irão.
O porta-voz disse que Teerão “não esquecerá a traição infligida à diplomacia em duas ocasiões em menos de um ano”, referindo-se às conversações indiretas de junho de 2025 e fevereiro de 2026, que antecederam os ataques de Israel e dos EUA.
Mohammad Bagher Ghalibaf, por outro lado, afirmou que as conversações indiretas, iniciadas por Washington com mediação do Paquistão, eram apenas uma fachada para o envio de tropas norte-americanas.
Os Estados Unidos estão a promover “desejos como notícias enquanto ao mesmo tempo ameaçam a nossa nação”, acrescentou o dirigente.
Um navio de assalto anfíbio norte-americano, liderando um grupo naval composto por “cerca de 3.500” marinheiros e fuzileiros, chegou à região na sexta-feira.
“O inimigo está a enviar mensagens públicas de negociação e diálogo, enquanto planeia secretamente uma ofensiva terrestre”, denunciou Ghalibaf no domingo.
“Os nossos homens aguardam a chegada dos soldados norte-americanos a terra para os atacar, e castigar os seus aliados regionais de uma vez por todas”, acrescentou.
Donald Trump, insistiu na rede social que detém, a Truth Social, na segunda-feira, que o país “está em conversações sérias com um novo e mais razoável regime” no Irão.
Ao mesmo tempo, o republicano reiterou as ameaças às instalações elétricas e petrolíferas da República Islâmica, “se não se chegar em breve a um acordo”.
Também na segunda-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que existem fissuras na liderança do Irão, apontando a diferença entre discurso público e privado dos seus interlocutores iranianos, sobre quem se escusou a fornecer pormenores, alegando razões de segurança.
Em declarações ao canal televisivo ABC News, o chefe da diplomacia norte-americana afirmou que não revelaria a identidade das pessoas com as quais mantém diálogo em Teerão para acordar o fim da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel, porque “provavelmente isso lhes causaria problemas com outros grupos dentro do Irão”.
“Há lá algumas fraturas internas (na liderança iraniana). E creio que, se há pessoas no Irão que agora, dadas todas as circunstâncias, estão dispostas a encaminhar o seu país numa direção diferente, isso será algo positivo”, acrescentou.
Lusa

