A liberdade global registou o seu 20.º ano consecutivo de declínio, de acordo com o mais recente relatório da Freedom House, publicado hoje, que avalia os níveis de direitos políticos e liberdades civis em todo o mundo.

No caso de Angola, o país continua classificado como “Não Livre”, mantendo uma pontuação baixa no índice global. O relatório aponta para limitações persistentes no funcionamento das instituições democráticas, restrições à liberdade de expressão e constrangimentos na participação política.
Entre os países africanos de língua portuguesa, o panorama é heterogéneo. Cabo Verde e São Tomé e Príncipe destacam-se como democracias consolidadas, classificados como “Livres”, com níveis elevados de respeito pelos direitos fundamentais e estabilidade institucional.
Já Moçambique e Guiné-Bissau surgem na categoria de “Parcialmente Livres”, enfrentando desafios relacionados com instabilidade política, limitações à liberdade de reunião e fragilidades institucionais.
O relatório sublinha que a tendência global de deterioração das liberdades continua a ser alimentada por factores como a repressão política, o enfraquecimento das instituições democráticas e o aumento de conflitos e crises de governação.
No contexto africano, estes desafios são agravados por episódios de instabilidade e dificuldades estruturais, que continuam a afectar o desenvolvimento democrático em vários países.
Apesar disso, os dados mostram que existem exemplos positivos no continente, com países a consolidar práticas democráticas e a garantir maior protecção dos direitos dos cidadãos.
A análise da Freedom House evidencia, assim, uma divisão clara no espaço lusófono africano, onde coexistem realidades distintas em termos de liberdade e governação.

