As principais bolsas asiáticas registaram ganhos expressivos esta quinta-feira, recuperando das fortes perdas dos últimos dias provocadas pela guerra no Médio Oriente. Apesar da recuperação nos mercados accionistas, os preços do petróleo continuam a subir devido às incertezas relacionadas com o bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz.

As bolsas de Seul e Tóquio lideraram a recuperação. O índice Kospi, da bolsa sul-coreana, fechou com uma subida de 9,63%, depois de ter registado uma queda histórica de 12% no dia anterior, quando o mercado entrou em pânico face às consequências do conflito e à disparada dos preços da energia.
Perante a turbulência financeira, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, ordenou a activação de um fundo de estabilização dos mercados no valor de 68 mil milhões de dólares, com o objectivo de reduzir a volatilidade e garantir maior estabilidade nos mercados de capitais.
“A escalada da crise no Médio Oriente está a piorar significativamente o ambiente económico e de segurança mundial”, afirmou o chefe de Estado.
Já o índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, encerrou a sessão com uma subida de 1,9%, recuperando parcialmente da queda de 3,61% registada na quarta-feira.
Também os mercados chineses apresentaram ganhos moderados: a bolsa de Hong Kong subiu 0,3%, enquanto Xangai avançou 0,6%, após o anúncio da meta oficial de crescimento económico da China para este ano, fixada entre 4,5% e 5%, a mais baixa em três décadas.
A recuperação asiática seguiu-se a um desempenho positivo de Wall Street, em Nova Iorque, onde os investidores reagiram favoravelmente a dados económicos dos Estados Unidos melhores do que o esperado.
No entanto, a tensão geopolítica continua a pressionar o mercado energético. O bloqueio do Estreito de Ormuz — rota vital para o transporte mundial de petróleo — mantém os preços do crude em alta.
Nas negociações asiáticas, o barril de Brent subia cerca de 3%, para 83,88 dólares, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançava 3,3%, atingindo 77,14 dólares.
Para Jonas Goltermann, analista da Capital Economics, os investidores esperam que o impacto do conflito seja limitado, semelhante ao ocorrido em 2025, quando os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares do Irão no contexto da ofensiva israelita.
Contudo, o analista alerta que essa visão pode revelar-se excessivamente optimista, sobretudo se a guerra se intensificar e continuar a afectar toda a região do Golfo Pérsico.

