O Presidente norte-americano ameaçou hoje com “uma tarifa muito mais alta e pior” os países que “brinquem” com a decisão do Supremo Tribunal, que anulou taxas que tinha imposto, afirmando que não precisa da aprovação do Congresso.

“Qualquer país que queira ‘brincar’ com a ridícula decisão do Supremo Tribunal, especialmente aqueles que ‘enganaram’ os EUA durante anos, e até décadas, terá uma tarifa muito mais alta e pior do que aquela com que acabou de concordar”, escreveu hoje Donald Trump na sua rede social, Truth Social.
O chefe de Estado norte-americano deixou um alerta, recorrendo, como habitualmente, às letras maiúsculas: “Comprador, cuidado!!”.
“Como Presidente, não preciso de voltar ao Congresso para obter aprovação das tarifas”, afirmou ainda, numa publicação em seguida.
Tal, acrescentou, “já foi conseguido, de muitas formas, há muito tempo”.
“Elas também acabaram de ser reafirmadas pela decisão ridícula e mal elaborada do Supremo Tribunal!”, criticou.
Donald Trump anunciou na sexta-feira uma “tarifa global” de 10%, após o Supremo Tribunal ter considerado ilegal grande parte das taxas que o Presidente havia imposto.
Mas, no dia seguinte, anunciou um aumento da nova tarifa alfandegária global de 10% para 15% “com efeito imediato”.
A nova taxa foi a resposta de Trump à decisão que derrubou a política tarifária, ao considerar que o republicano excedeu os poderes de emergência invocados para impor impostos aos parceiros comerciais dos Estados Unidos.
Para minimizar os efeitos das tarifas e evitar uma guerra comercial, Bruxelas e Washington assinaram no verão um acordo (conhecido como ‘acordo de Turnberry’), mediante o qual a UE aceitou uma tarifa geral de 15% se os EUA exportassem para o bloco produtos industriais isentos de tarifas.
A grande maioria dos produtos europeus está sujeita a uma tarifa de 15% nos EUA, mas a UE ainda não aplica a tarifa de 0% aos produtos norte-americanos, por aguardar que o Parlamento Europeu ratifique o acordo.
A Comissão do Comércio do Parlamento Europeu, que previa votar o acordo entre Bruxelas e Washington na terça-feira, convocou uma reunião para hoje com o objetivo de analisar as implicações da decisão do Supremo Tribunal dos EUA.
Lusa

