O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta segunda-feira, 5 de Janeiro, que a Venezuela não realizará eleições nos próximos 30 dias, defendendo que o país precisa primeiro de ser “consertado” antes de qualquer processo eleitoral.

Em entrevista à emissora NBC News, Trump justificou a posição alegando que o actual contexto interno inviabiliza a realização de eleições. “Precisamos consertar o país primeiro, não dá para ter uma eleição. As pessoas nem conseguiriam votar. Precisamos revitalizar o país”, declarou o chefe de Estado norte-americano.
O Presidente dos EUA reiterou ainda que Washington não está em guerra com a Venezuela enquanto Estado, mas sim com o que classificou como redes criminosas transnacionais. “Estamos numa guerra contra as pessoas que vendem drogas, que esvaziam as suas prisões e hospitais de saúde mental e enviam criminosos, viciados e doentes mentais para os Estados Unidos”, afirmou.
Na mesma entrevista, Trump voltou a insistir que estará “no controlo” da Venezuela no futuro, acrescentando que contará com o apoio de figuras-chave do seu governo, nomeadamente o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, e o vice-presidente, J. D. Vance.
As declarações surgem num contexto de forte tensão política e diplomática, poucos dias após a captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro, facto que tem provocado reacções críticas a nível internacional e apelos ao respeito pelo direito internacional e pela soberania dos Estados.
Entretanto, ainda esta segunda-feira, Delcy Rodríguez, figura de proa do chavismo, foi empossada como Presidente interina da Venezuela, numa cerimónia realizada na Assembleia Nacional. No discurso de tomada de posse, a dirigente declarou lealdade a Nicolás Maduro, afirmou assumir funções “com pesar” na sequência do que classificou como uma “agressão militar ilegítima”, e não deixou sinais de abertura para uma aproximação política aos Estados Unidos.
As posições assumidas por Washington e Caracas apontam para a manutenção de um clima de elevada tensão, enquanto a comunidade internacional acompanha com preocupação os desenvolvimentos na Venezuela e os seus potenciais impactos na estabilidade regional.

