Sexta-feira, 28 de Agosto, 2026

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Guerra com Irão deixa EUA com escassez crítica de mísseis Patriot na Europa

As forças norte-americanas enfrentam uma escassez crítica de intercetores de mísseis na Europa, devido ao elevado consumo na guerra com o Irão, segundo responsáveis militares citados pela Associated Press (AP).

Um responsável da Defesa norte-americana na Europa afirmou à agência, sob anonimato, que a situação mais preocupante envolve os intercetores Patriot, considerados essenciais para abater os mísseis balísticos de alta velocidade utilizados pela Rússia.

Um responsável da NATO confirmou igualmente à AP os baixos níveis das reservas de Patriot entre as forças norte-americanas e da Aliança na Europa.

Segundo a fonte norte-americana, as forças dos Estados Unidos na Europa “definitivamente” não dispõem atualmente de Patriots suficientes para enfrentar um eventual ataque sustentado de mísseis balísticos e teriam uma capacidade “muito limitada” para responder mesmo a um ataque isolado ou a um míssil russo que se desviasse da trajetória.

Num cenário de ataques contra um quartel-general militar ou uma central elétrica, por exemplo, a NATO poderia enfrentar dificuldades semelhantes às da Ucrânia e ser obrigada a “levar golpe após golpe”, acrescentou.

A redução das reservas resulta parcialmente dos fornecimentos feitos a Kiev desde a invasão russa de fevereiro de 2022, mas terá sido acelerada sobretudo pela guerra entre os Estados Unidos e o Irão, iniciada em 28 de fevereiro e que completa na sexta-feira seis meses.

Os Estados Unidos transferiram para o Médio Oriente parte das reservas destinadas à Europa e Washington e os aliados do Golfo utilizaram um número significativo de intercetores para responder aos ataques iranianos com drones e mísseis.

Segundo estimativas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), citadas pela AP, o conflito com o Irão consumiu cerca de 65% das reservas norte-americanas de intercetores Patriot, correspondentes a aproximadamente 1.500 dos 2.330 mísseis disponíveis.

A escassez é particularmente relevante devido às poucas alternativas disponíveis para intercetar os mísseis balísticos russos mais avançados, capazes de atingir velocidades superiores a cinco vezes a velocidade do som.

A França e a Itália dispõem do sistema SAMP/T e estão a desenvolver uma nova versão, SAMP/T NG, considerada mais capaz de intercetar mísseis balísticos, mas que ainda não foi testada em combate.

A NATO prevê também que a primeira fábrica europeia de mísseis Patriot comece a funcionar na Alemanha em setembro, podendo iniciar as entregas no princípio de 2027.

As forças norte-americanas na Europa enfrentam igualmente uma escassez considerada crítica de mísseis balísticos táticos ATACMS, destinados a atingir alvos situados atrás das linhas inimigas.

Responsáveis europeus e da NATO têm alertado que a Rússia poderá adquirir capacidade para atacar países da Aliança até 2030, período durante o qual se espera que as reservas ocidentais de intercetores sejam recompostas.

Lusa

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