João Lourenço elogia Tshisekedi por transformar relações de boa-vizinhança em projectos económicos concretos

Angola e a República Democrática do Congo (RDC) preparam-se para inaugurar uma nova etapa nas relações económicas bilaterais, com acordos e projectos nas áreas dos combustíveis, energia eléctrica, comércio de produtos alimentares e exploração petrolífera.
O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, fez esta quarta-feira, em Kinshasa, um elogio público ao seu homólogo congolês-democrático, Félix Antoine Tshisekedi, pelo que considerou ser uma mudança concreta na relação económica entre os dois países.
Ao falar aos jornalistas, ao lado do Presidente da RDC, no balanço da sua visita de trabalho de algumas horas a Kinshasa, João Lourenço afirmou que Angola e a RDC mantiveram durante anos relações baseadas sobretudo na boa-vizinhança e na fraternidade, sem que isso se traduzisse em negócios de dimensão significativa entre os dois países.
“Sempre falámos de relações de boa-vizinhança, de fraternidade, mas nunca houve nada de concreto para mostrar como relação económica”, afirmou.
Segundo o Chefe de Estado angolano, a situação começou a mudar nos últimos três anos, período em que os dois países deram “passos reais, efectivos” para transformar a proximidade geográfica e histórica em cooperação económica.
Combustíveis angolanos para o mercado congolês
Entre os negócios que deverão avançar está a venda de gasolina e gasóleo produzidos em Angola para a RDC, através da Sonangol.
O acordo deverá permitir reforçar a presença dos produtos refinados angolanos no mercado congolês e criar um novo eixo comercial entre os dois países.
Angola vai fornecer electricidade à RDC
A energia eléctrica é outra das áreas consideradas estratégicas.
Angola deverá passar a fornecer electricidade à RDC através da construção de linhas de alta tensão que ligarão o território angolano a diferentes pontos do território congolês.
O projecto prevê a construção de pelo menos três linhas, permitindo transportar energia produzida em Angola para regiões congolesas com elevada procura, incluindo zonas de actividade industrial e mineira.
Peixe e sal entram no comércio formal
Os dois países pretendem igualmente aumentar o comércio de produtos alimentares.
Angola deverá fornecer à RDC peixe e sal, entre outros produtos, através de circuitos formais de comércio.
A medida pretende substituir parte das actuais transacções informais por operações comerciais estruturadas, garantindo maior segurança, qualidade e higiene dos produtos destinados aos consumidores congoleses.
Petróleo: acordo histórico pode sair do papel
Um dos projectos de maior relevância estratégica é a exploração conjunta da Zona de Interesse Comum, área petrolífera partilhada pelos dois países.
O entendimento surge depois de mais de duas décadas desde a assinatura, em 2003, do primeiro memorando sobre a possibilidade de exploração conjunta de petróleo.
As negociações ganharam novo impulso a partir de 2023 e os dois governos conseguiram avançar na definição dos principais aspectos do projecto, incluindo o modelo de gestão e a partilha dos benefícios.
A previsão apresentada pelo Presidente João Lourenço aponta para que, dentro de aproximadamente quatro anos, possa começar a produção e comercialização do crude proveniente daquela bacia, caso sejam criadas as condições técnicas e financeiras necessárias.
Para o Presidente angolano, os avanços alcançados demonstram que Angola e RDC entraram numa nova fase da relação bilateral, em que os históricos laços entre os dois povos começam finalmente a traduzir-se em infra-estruturas, comércio, energia e investimentos concretos.
A nova dinâmica económica deverá também complementar o desenvolvimento do Corredor do Lobito, considerado um dos principais projectos de integração regional envolvendo Angola e a RDC.

