O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje, poucas horas depois do anúncio da libertação do ex-fuzileiro Robert Gilman, detido desde 2022 na Rússia, que o processo foi possível após conversas que manteve com o homólogo russo.

“Após as minhas conversas com o Presidente [Vladimir] Putin, a Rússia concordou em libertá-lo, em grande parte por razões humanitárias”, escreveu Trump na sua rede social, a Truth Social, pouco após o Departamento de Estado ter anunciado a libertação de Robert Gilman.
A diplomacia norte-americana tinha anunciado num comunicado que, “após mais de quatro anos de detenção na Rússia”, o professor e ex-fuzileiro de 32 anos estava “a caminho de casa para se reunir com a sua família”.
“Gilman junta-se a mais de 100 americanos que o Presidente Trump libertou durante o seu segundo mandato”, adiantou a nota do Departamento de Estado.
No comunicado, o Departamento de Estado agradeceu à Rússia “por ter colaborado com o enviado especial Steve Witkoff” para libertar o ex-fuzileiro e por “lhe ter permitido receber o tratamento médico necessário” nos Estados Unidos.
“Embora valorizemos este passo positivo, continuamos a procurar o regresso imediato de todos os outros americanos detidos injustamente, incluindo o detido injustamente Stephen Hubbard”, acrescentou a nota da diplomacia norte-americana, referindo-se ao professor reformado que foi detido em 2024 por alegadamente ser um mercenário ao serviço da Ucrânia.
O primeiro anúncio da libertação de Gilman partiu da Global Reach, uma organização sem fins lucrativos que tem vindo a trabalhar para libertar o veterano e outros detidos norte-americanos no estrangeiro.
O ex-fuzileiro norte-americano que passou mais de quatro anos na prisão e que se encontrava gravemente doente e em risco de vida está a caminho do Texas onde será observado num hospital militar.
A família de Gilman voou também para o Texas, incluindo a mãe, que se encontrava na Rússia a tentar visitá-lo no hospital.
Gilman, um professor de 32 anos detido desde 2022, foi inicialmente condenado a três anos e meio de prisão, considerado culpado de agredir um polícia após ser retirado de um comboio por alegadamente causar um distúrbio.
Foi posteriormente condenado por acusações de agressão a um inspetor prisional durante uma inspeção a uma cela, espancamento de um investigador e agressão a um guarda, sendo condenado em outubro de 2024 a oito anos e um mês de prisão.
A sua pena foi alargada para 10 anos no ano passado, após ser considerado culpado de agredir guardas prisionais.
A família de Gilman detalhou que foram feitas contra ele pelas autoridades russas uma “série de acusações vagas e crescentes” e que, na prisão, foi “instigado” a cometer ilegalidades e a aceitar acusações “através de ingestão de drogas, provocações e tortura”.
Gilman tinha sido transferido de uma prisão para um hospital civil.
As autoridades russas não se pronunciaram publicamente sobre o caso.
Lusa

