Sexta-feira, 31 de Julho, 2026

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Africell enfrenta pressão na rede após aumento da procura provocado pela crise da Unitel

Luanda — A crise provocada pelo ciberataque que atingiu a Unitel está a produzir efeitos para além da maior operadora de telecomunicações de Angola. Com milhares de clientes a procurarem alternativas para manter as comunicações, a Africell, segunda operadora móvel do país, passou a enfrentar uma procura acrescida pelos seus serviços, num momento em que utilizadores relatam dificuldades no acesso à Internet e na realização de chamadas.

Desde o ataque informático à infraestrutura tecnológica da Unitel, registado na madrugada de terça-feira, 28 de Julho, muitos clientes da operadora afectada começaram a recorrer à Africell como alternativa para chamadas e acesso à Internet.

A Unitel confirmou que o ataque teve impacto nos serviços de voz, dados móveis e acesso à Internet em todo o território nacional, tendo mobilizado equipas técnicas e de cibersegurança para a recuperação da rede.

A deslocação de uma parte dos utilizadores para a rede concorrente terá, entretanto, aumentado significativamente a pressão sobre a infraestrutura da Africell.

Utilizadores relatam dificuldades

Nas últimas horas, clientes da Africell em diferentes zonas de Luanda têm relatado dificuldades na utilização dos serviços.

Entre as principais queixas estão a lentidão ou instabilidade da Internet móvel, dificuldades na obtenção de sinal em determinadas áreas e problemas para estabelecer chamadas telefónicas.

Há igualmente relatos de chamadas que não chegam a ser completadas, inclusive entre utilizadores da própria Africell.

A situação tem provocado frustração entre clientes que, perante as dificuldades enfrentadas pela Unitel, decidiram adquirir ou activar cartões da concorrente na expectativa de encontrar uma alternativa funcional.

Os constrangimentos, contudo, não significam necessariamente que toda a rede Africell esteja indisponível. A qualidade do serviço pode variar de acordo com a zona, a capacidade das estações, o congestionamento e a quantidade de utilizadores ligados simultaneamente.

Até ao momento, não foi localizado um comunicado oficial da Africell atribuindo as dificuldades a uma sobrecarga provocada pelo aumento repentino de clientes.

Africell ultrapassou sete milhões de clientes

O aumento da procura ocorre numa altura particularmente importante para a Africell.

A operadora anunciou, no dia 27 de Julho, que ultrapassou a marca de sete milhões de clientes em Angola, consolidando a sua posição como principal concorrente da Unitel no mercado nacional.

O número demonstra o crescimento alcançado pela empresa desde a sua entrada no mercado angolano, mas também evidencia a dimensão da infraestrutura que a operadora precisa de manter para responder a uma base de clientes em expansão.

Com a interrupção parcial da rede Unitel, a procura pelos serviços da Africell aumentou precisamente num momento em que a empresa acaba de ultrapassar um novo marco comercial.

Ciberataque expôs dependência das telecomunicações

O episódio da Unitel demonstrou a enorme dependência da economia e da sociedade angolanas das telecomunicações móveis.

O ataque, ocorrido às 02h20 de terça-feira, afectou voz, dados móveis e Internet da Unitel em todo o país. A empresa informou que activou mecanismos de resposta e contenção e que as equipas técnicas continuam a trabalhar na recuperação integral dos serviços.

A dimensão do incidente tornou evidente que uma perturbação numa única operadora pode provocar efeitos em cadeia sobre empresas, comerciantes, consumidores e outros serviços que dependem da conectividade móvel.

A situação também demonstrou a importância da existência de alternativas no mercado. Contudo, a experiência dos últimos dias mostra que uma alternativa só consegue absorver uma parte significativa da procura se dispuser de capacidade suficiente para responder a aumentos repentinos de tráfego.

Mercado das telecomunicações sob teste

A crise colocou, de forma inesperada, a Africell perante um dos maiores testes à sua capacidade operacional desde a entrada no mercado angolano.

A empresa tem agora a oportunidade de transformar a crise da concorrente numa oportunidade para conquistar novos clientes. Mas, para isso, precisa de garantir que a qualidade da sua rede acompanha o aumento da procura.

Se os problemas relatados pelos utilizadores persistirem, a expectativa de encontrar na Africell uma alternativa imediata à Unitel poderá não ser correspondida.

Por outro lado, se a operadora conseguir estabilizar a rede e responder ao aumento da procura, poderá sair do episódio com uma base de clientes significativamente maior e reforçar a sua posição no mercado.

Necessidade de maior capacidade e resiliência

O episódio levanta ainda uma questão mais ampla sobre a capacidade das infraestruturas de telecomunicações em Angola para absorver situações excepcionais.

A existência de duas grandes redes móveis oferece aos consumidores uma alternativa em caso de falha de uma das operadoras. No entanto, para que essa redundância seja efectiva, é necessário que cada rede disponha de capacidade suficiente para absorver parte substancial do tráfego da concorrente em situações de emergência.

A crise actual poderá, por isso, servir de alerta para a necessidade de reforçar a capacidade, cobertura e resiliência das redes móveis nacionais.

Também poderá estimular o debate sobre mecanismos de continuidade de serviço para situações em que uma infraestrutura considerada crítica seja afectada por ataques informáticos, falhas técnicas ou outros incidentes de grande dimensão.

Clientes continuam à procura de alternativas

Enquanto a Unitel trabalha para recuperar plenamente os seus sistemas, muitos consumidores continuam a procurar soluções alternativas para manter as comunicações.

A Africell surge naturalmente como a principal opção para os utilizadores que pretendem continuar a efectuar chamadas e utilizar dados móveis sem depender da rede afectada pelo ciberataque.

O problema é que, perante o aumento repentino da procura, alguns clientes dizem não estar a encontrar na rede alternativa a estabilidade esperada.

O cenário coloca a Africell perante um desafio imediato: transformar o aumento excepcional da procura numa oportunidade de crescimento sem deixar que o congestionamento comprometa a experiência dos novos e antigos clientes.

A resposta da operadora nos próximos dias poderá ser determinante para perceber se a crise da Unitel representará apenas um aumento temporário de utilizadores ou uma mudança mais duradoura na distribuição do mercado das telecomunicações móveis em Angola.

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