O Camões — Centro Cultural Português em Maputo assinalou hoje os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) com o lançamento da coletânea “As casas ainda respiram”, reunindo 15 autores dos nove Estados-membros para celebrar diversidade.

A obra reúne poemas, contos e excertos de romances de escritores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, procurando reforçar o diálogo literário e cultural entre os países da comunidade.
“Vamos celebrar os 30 anos da CPLP, [que] foi criada há 30 anos com a visão estratégica. Nós entendemos que a raiz do alicerce principal é a língua portuguesa (…). A CPLP deve ser valorizada, mantida e aprofundada”, disse o diretor do Camões, José Manuel Amaral, aos jornalistas, à margem da apresentação da obra.
Segundo José Manuel Amaral, a coletânea pretende mostrar que a língua portuguesa se enriquece com as diferentes realidades e identidades dos países que a partilham, preservando a diversidade cultural da comunidade.
“É uma maneira de mostrar que a língua tem diversas cores, diversas expressões. É uma língua muito rica, em movimento, não pertence a ninguém, é de quem a fala”, afirmou.
Com 170 páginas, “As casas ainda respiram” resulta de uma parceria entre o instituto Camões em Maputo e a plataforma Catalogus, reunindo textos maioritariamente já publicados de autores convidados para assinalar os 30 anos da CPLP.
O cofundador da Catalogus, Mélio Tinga, explicou que a iniciativa procurou aproximar escritores dos diferentes países lusófonos e criar um espaço comum de circulação literária.
“Falamos a mesma língua, mas poucas vezes temos iniciativas que cruzam estes países. Este é um bom ponto de partida para ampliar as diferentes vozes dos países que escrevem em língua portuguesa”, afirmou.
A escritora moçambicana Virgília Ferrão, uma das autoras incluídas na coletânea, considerou que a publicação facilita o contacto dos leitores com escritores dos vários países da comunidade, num contexto em que a circulação do livro continua a ser um desafio.
“Esta coletânea é importante porque nos permite conhecer vários outros autores que, em condições normais, teríamos menos oportunidades de conhecer”, declarou.
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa celebrou o seu 30.º aniversário em 17 de julho, data que assinala a criação da organização, em 1996, em Lisboa, atualmente composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Lusa

