Seis membros da mesma família foram detidos pelo Serviço de Investigação Criminal, na província da Lunda Norte, acusados dos crimes de homicídio e ocultação de cadáver de um ancião de 68 anos, alegadamente motivados por crenças supersticiosas.

De acordo com informações avançadas pelas autoridades, os suspeitos acreditavam que a vítima seria responsável pelas sucessivas mortes e infortúnios registados no seio familiar, levando-os a agir violentamente contra o idoso.
Segundo o relato preliminar do SIC, os implicados terão arrastado o ancião até uma zona de mata, onde o agrediram violentamente até à morte. Posteriormente, numa tentativa de ocultar o crime e evitar responsabilização criminal, os suspeitos realizaram o enterro clandestino do corpo.
As detenções ocorreram após denúncias apresentadas por familiares da vítima, facto que permitiu ao SIC desencadear diligências investigativas que culminaram com a localização do local onde o cadáver havia sido enterrado.
As autoridades procederam posteriormente à exumação do corpo, com o objectivo de recolher elementos probatórios para o esclarecimento completo do caso.
Os seis suspeitos encontram-se actualmente detidos nas celas transitórias do SIC no município do Dundo e deverão ser apresentados ao Ministério Público nos próximos dias para os procedimentos legais subsequentes.
Casos relacionados com acusações de feitiçaria e crenças supersticiosas continuam a preocupar organizações de defesa dos direitos humanos e autoridades angolanas, sobretudo em algumas zonas rurais do país, onde persistem práticas tradicionais associadas à perseguição de pessoas consideradas responsáveis por doenças, mortes ou outros acontecimentos trágicos.
Especialistas sociais alertam que este tipo de violência resulta frequentemente da combinação entre desinformação, fragilidade social e ausência de mecanismos eficazes de mediação comunitária e assistência psicológica.
Nos últimos anos, as autoridades angolanas têm intensificado campanhas de sensibilização contra práticas de violência associadas à feitiçaria, sublinhando que acusações baseadas em superstição não possuem qualquer fundamento legal.

