Quarta-feira, 27 de Maio, 2026

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Escassez de moeda estrangeira é principal obstáculo ao crescimento dos bancos africanos

A escassez de liquidez em moeda estrangeira tornou-se o principal obstáculo ao crescimento do financiamento do comércio pelos bancos africanos, indicou hoje um estudo divulgado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

No relatório, apresentado hoje em Brazzaville, no encontro anual do BAD, aponta-se que “cerca de 36% dos bancos identificaram a limitada disponibilidade de divisas como a principal restrição ao crescimento do financiamento do comércio entre 2020 e 2024, em comparação com 18% no período 2015–2019”.

Para o BAD, este é o “principal entrave ao crescimento do financiamento do comércio”.

No mesmo relatório, estima-se que, até 2024, o défice de financiamento do comércio para cobrir as necessidades das empresas africanas situava-se entre os 74 e 92 mil milhões de dólares.

Ainda assim, o BAD e outras instituições financeiras de desenvolvimento “facilitaram cerca de 32 mil milhões de dólares por ano em financiamento do comércio entre 2020 e 2024, representando, em média, cerca de 3% do comércio total de mercadorias de África no mesmo período”.

O BAD avisou, contudo, que o comércio no continente “continua insuficientemente servido pelos bancos comerciais”, até porque, entre 2020 e 2024, “os bancos comerciais intermediaram, em média, 23% do comércio total de África, abaixo dos 40% registados no período 2011–2019”.

Apesar disso, os bancos comerciais regionais africanos estão a desempenhar um papel cada vez mais relevante como bancos correspondentes ao serviço dos bancos emissores em África.

O relatório foi apresentado no encontro anual do Grupo BAD, no qual representantes dos 81 países membros, incluindo chefes de Estado, ministros das Finanças, ministros do Planeamento e governadores de bancos centrais, vão analisar os progressos alcançados ao longo do último ano e os grandes desafios que se avizinham.

O lema das reuniões deste ano, que decorrem até sexta-feira na capital da República do Congo, Brazzaville, é “Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado”.

As reuniões deste ano estão a ser marcadas por medidas sanitárias contra o Ébola, que foram reforçadas em Brazzaville, separada da República Democrática do Congo (RDCongo) por um rio, e o próprio formato dos encontros foi alterado, com o Banco a adotar “um formato híbrido, permitindo que todos os delegados participem plenamente nos trabalhos, independentemente das condições de viagem e logísticas”.

Lusa

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