Um jovem de 22 anos está a ser acusado de assassinar o padrasto e dois irmãos menores, na província do Huambo, num crime que as autoridades associam a alegadas crenças ligadas ao enriquecimento fácil através de práticas espirituais e rituais.

Segundo informações preliminares, o suspeito residia em Luanda e terá viajado para a província do Bengo, onde alegadamente recebeu orientações de um conhecido para procurar uma casa de crenças tradicionais com o objectivo de obter riqueza material.
De acordo com o relato apresentado pelas autoridades locais, o jovem teria sido aconselhado por um suposto “quimbandeiro” a eliminar três membros da própria família como condição para alcançar prosperidade financeira.
Após aceitar a orientação, o acusado deslocou-se para o município da Caála, na província do Huambo, percorrendo cerca de 35 quilómetros até à localidade onde residiam os familiares.
As autoridades indicam que o primeiro alvo foi o padrasto, morto a golpes de faca. Em seguida, o jovem terá atacado dois irmãos menores, de 12 e 14 anos, que também acabaram por perder a vida.
Depois do crime, o suspeito tentou esconder os corpos para evitar ser descoberto. No entanto, familiares, membros da comunidade e efectivos da Polícia Nacional aperceberam-se da situação, levando à sua detenção.
O acusado encontra-se sob custódia e deverá ser presente ao Ministério Público para responder criminalmente pelos homicídios, num caso que provocou forte indignação social no município da Caála e em diferentes sectores da sociedade angolana.
As autoridades alertam para o crescimento de crimes associados a falsas promessas de enriquecimento rápido, frequentemente exploradas por indivíduos que recorrem à manipulação psicológica, superstição e práticas ocultistas para influenciar jovens em situação de vulnerabilidade social ou económica.
Especialistas em sociologia e psicologia social defendem maior sensibilização comunitária, educação cívica e acompanhamento familiar para travar a disseminação de crenças perigosas relacionadas com sacrifícios humanos e rituais de fortuna.
Nos últimos anos, Angola tem registado vários casos criminais ligados a alegadas práticas de feitiçaria, homicídios rituais e violência motivada por promessas de riqueza fácil, fenómeno que continua a preocupar autoridades policiais, líderes religiosos e organizações da sociedade civil.

