O Secretário de Estado para a Área Hospitalar de Angola, Leonardo Europeu Inocêncio, afirmou que os casos conhecidos popularmente como “tala” ou “mina tradicional” têm tratamento adequado nas unidades hospitalares, apelando à procura atempada dos serviços de saúde para evitar complicações graves.

As declarações foram feitas durante um encontro técnico dedicado à gestão estratégica da prevenção e controlo de lesões, promovido pelo Ministério da Saúde de Angola, onde especialistas nacionais e internacionais debateram formas de reduzir complicações resultantes de feridas, traumatismos, pé diabético e lesões associadas a práticas tradicionais.
Segundo Leonardo Inocêncio, independentemente da origem do problema — seja diabetes, doenças vasculares, traumatismos ou infecções — os hospitais dispõem de capacidade técnica para acompanhar os pacientes e evitar amputações ou sequelas permanentes.
Durante o encontro, os especialistas alertaram que muitos cidadãos continuam a recorrer inicialmente à medicina tradicional e a práticas informais de imobilização e tratamento de feridas, o que frequentemente agrava o estado clínico dos pacientes. Estudos médicos realizados em Angola apontam que determinadas práticas tradicionais de escarificação e manipulação de lesões podem aumentar significativamente o risco de infecções graves e mortalidade.
O Ministério da Saúde anunciou igualmente a criação de centros especializados e o reforço das equipas multidisciplinares nos hospitais, com foco no tratamento de lesões complexas, úlceras diabéticas, queimaduras e reabilitação funcional. O workshop realizado em Luanda destacou também a necessidade de formação contínua dos profissionais de saúde e de campanhas de sensibilização pública sobre os riscos associados ao tratamento informal de feridas.
O encontro abordou ainda o aumento dos casos relacionados com pé diabético e lesões por pressão, áreas que o sector da saúde considera prioritárias devido ao crescimento das doenças crónicas e dos acidentes traumáticos no país.
Leonardo Inocêncio, médico cirurgião formado em Cuba e com vasta experiência em gestão hospitalar, tem defendido o fortalecimento da capacidade dos hospitais angolanos e a modernização das unidades sanitárias para responder aos desafios actuais do sistema nacional de saúde.

