Quarta-feira, 1 de Abril, 2026

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Irão: Teerão tem vontade de pôr fim à guerra mas exige garantias – PR iraniano

O Presidente iraniano afirmou hoje que o Irão tem vontade de “pôr fim” à guerra contra os Estados Unidos e Israel, mas quer garantias para “impedir a repetição da agressão”.

“Temos a vontade necessária para pôr fim” ao conflito, que já completou um mês, “desde que estejam reunidas as condições essenciais, em particular as garantias necessárias para impedir a repetição da agressão”, afirmou Masoud Pezeshkian, durante uma conversa telefónica com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Na conversa, Pezeshkian reiterou uma das principais exigências colocadas pela República Islâmica para o fim das hostilidades, a par do fim da agressão, que passa pelo pagamento de indemnizações financeiras, da definição clara das responsabilidades e da cessação das hostilidades em todas as frentes.

“A solução para normalizar a situação é o fim” da ofensiva, sublinhou também Pezeshkian.

Por seu lado, António Costa pediu ao Presidente iraniano um “espaço para a diplomacia”, que a União Europeia (UE) pode mediar, bem como o desbloqueio do Estreito de Ormuz.

Numa publicação na rede social X após a conversa, o presidente do Conselho Europeu disse ter apelado “ao alívio das tensões e à moderação, à proteção dos civis e das infraestruturas civis, bem como à necessidade de todas as partes respeitarem plenamente o direito internacional”.

Além disso, disse ter exortado o Irão a pôr termo aos ataques contra países da região e empenhar-se na via diplomática para “garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz”.

“Tem de haver espaço para a diplomacia. A UE está pronta a contribuir para todos os esforços diplomáticos destinados a reduzir as tensões e a encontrar uma solução duradoura para pôr fim às hostilidades, abordando simultaneamente as preocupações de segurança mais amplas suscitadas pelo Irão”, defendeu ainda António Costa.

A conversa telefónica surge numa altura em que a guerra atinge a marca das cinco semanas e num momento em que o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, disse que os próximos dias da guerra contra o Irão “serão decisivos”, recusando descartar o envio de tropas para território iraniano.

“Os próximos dias serão decisivos. O Irão sabe disso e praticamente não há nada que possa fazer militarmente a esse respeito”, declarou Hegseth numa conferência de imprensa no Pentágono (Departamento de Defesa). 

De acordo com Pete Hegseth, as negociações com o Irão para pôr fim à guerra estão a intensificar-se.

“Não queremos ter de fazer militarmente mais que o necessário. Mas não o disse de ânimo leve quando afirmei que, entretanto, negociaremos com bombas”, sublinhou.

“Não vamos descartar nenhuma opção. Não se pode travar e ganhar uma guerra se se disser ao adversário o que se está preparado para fazer, ou não, incluindo tropas terrestres”, argumentou.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

Lusa

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