Sábado, 28 de Março, 2026

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PR diz que motivações do colonialismo são as mesmas dos ataques ao Irão

O Presidente da República afirmou hoje que as motivações do colonialismo no passado são as mesmas que levam hoje qualquer superpotência a fazer intervenções militares, como aconteceu no Iraque e agora no Irão.

“Hoje, com os mais diferentes argumentos, mas com os mesmos objetivos, os do controlo das principais fontes energéticas do planeta, do petróleo, do gás e dos minerais críticos e estratégicos, fazem-se intervenções militares em qualquer ponto do planeta”, disse João Lourenço na 11.ª cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP).

Nesta cimeira que decorre em Malabo, na Guiné Equatorial, Angola encerra o seu mandato de três anos na presidência da organização, passando a mesma ao país anfitrião.

“O mundo transformou-se numa selva, onde qualquer superpotência evoca um direito inexistente à luz do Direito Internacional, o do ataque preventivo, suportado apenas na presunção de que alguém se está a preparar para me atacar e destruir”, disse o chefe de Estado angolano, lembrando o caso do Iraque e, agora, do Irão.

E acrescentou: “Nós, os povos de África, das Caraíbas e do Pacífico, por termos vivido durante séculos uma amarga experiência, sabemos que as mesmas motivações que estiveram na base do colonialismo, o do controlo e pilhagem de nossas riquezas, persiste infelizmente nos dias de hoje em pleno século XXI”.

“Somos uma organização constituída por 79 nações deste planeta e devemos, por isso, zelar para termos voz ativa e um papel atuante na abordagem das grandes questões globais, para que os nossos pontos de vista sejam tidos em linha de conta na busca das soluções para os graves problemas que afetam de forma cada vez mais ameaçadora a segurança e a paz mundial”, defendeu.

Nesta cimeira de Malabo, que decorre com o tema “uma OEACP transformada e renovada num mundo em mutação”, Angola fez um balanço da liderança da organização, “marcada por transformações que deixam a instituição com bases sólidas para próximos desafios”.

“Decidimos abandonar o modelo de parceria assistencial do passado e estabelecemos as bases para uma parceria estratégica entre regiões que partilham responsabilidades globais e objetivos comuns, de modo a dar consistência ao princípio fundamental de um multilateralismo mais equilibrado e dinâmico, pelo qual o mundo se deve reger para se prevenirem os conflitos que grassam um pouco por toda a parte”, disse João Lourenço.

A partir de hoje, o Presidente da República da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, assume a presidência rotativa da OEACP.

Lusa

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