Sábado, 14 de Março, 2026

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Militante do MPLA pede providência cautelar para suspender líder do partido

O membro do Comité Central do MPLA, partido no poder em Angola, submeteu ao Tribunal Constitucional uma providência cautelar para a suspensão do líder desta organização política, João Lourenço.

Militante do MPLA pede providência cautelar para suspender líder do partido

Valdir Cónego, militante do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), manifestou ao partido em 2024 a intenção de se candidatar a presidente da formação política e da Presidência da República.

No documento em que solicitou, na quinta-feira, a suspensão de João Lourenço da liderança do partido, o militante argumenta que endereçou uma carta à secretaria geral do Comité Central do MPLA com conhecimento a todos os seus membros, como obrigam os estatutos, a pedir o agendamento de uma reunião extraordinária deste órgão “para a suspensão do presidente do MPLA”, mas 45 dias passados não obteve resposta.

“Vejo-me no direito de escrever para a veneranda juíza, Laurinda Cardoso, que dirige esta instituição de direito e que deu posse ao nosso líder do MPLA como Presidente da República de Angola, e sendo este tribunal que vela pelos partidos políticos no cumprimento e respeito dos seus estatutos e da Constituição da República, que autorize esta providência cautelar pelas razões que vão na carta em anexo a esta”, refere.

Segundo Valdir Cónego, “é notória a falta de capacidade e competência por parte do Presidente João Lourenço em gerir os destinos do país, causando impopularidade no seio do MPLA”.

O militante do MPLA sublinhou que “o país entrou no colapso social, onde a fome, a miséria e pobreza extrema assolam mais de 25 milhões de cidadãos angolanos”, destacando que entre 28 e 30 de julho passado, assistiu-se à “invasão do povo em lojas e armazéns públicos e privados na capital de Angola, Luanda, ato que se estendeu pelas províncias de Malanje, Huambo, Benguela e Huíla”, que teve a pronta intervenção das forças de segurança.

“A causa do vandalismo é a fome e os efeitos foram mais graves, resultando na morte de mais de 30 cidadãos angolanos, culpa de quem dirige a nossa nação Angola, no caso culpa do Presidente João Lourenço”.

De acordo com Valdir Cónego, o povo angolano “já não mais quer o Presidente João Lourenço” e os militantes do partido “clama pela sua saída da liderança do partido por manchar o bom nome e reputação do MPLA nestes 50 anos, sendo o pior Presidente da história de Angola e da história do seio do MPLA”.

“Pelo que pedimos a retirada da sua confiança política no seio do MPLA, para que possamos ter múltiplas candidaturas, uma vez que o líder do partido não aceita e ainda intimida os pré-candidatos a presidência do MPLA plasmado nos nossos estatutos no artigo n.º 31 a alinha k)”, referiu.

Valdir Cónego augura que a providência cautelar “possa levar o Comité Central a suspender o presidente do partido” para a eleição de um novo “que esteja a altura de conduzir os destinos do partido até ao IX congresso ordinário de dezembro de 2026”.

“Devo exprimir como militante de que a saída do presidente João Lourenço será importante para que possamos nos reconciliar com o povo e ganhar as eleições de 2027, se o líder do MPLA continuar vamos perder as eleições de 2027 e correndo o risco de exterminar com o nosso glorioso MPLA”, argumentou, apelando a João Lourenço para que abandone a liderança do partido “com os seus próprios pés e com a sua própria consciência para o bem de todos os angolanos e para um futuro melhor do MPLA”.

Lusa

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