O Ministro do interior, Eugénio Laborinho, negou existir repressão contra manifestantes embora reconheça que no passado isso aconteceu, mas por culpa dos manifestantes.

Laborinho fez estas declarações, esta terça-feira (9), à Voz da América, à margem de um acto de patenteamento de 42 oficiais comissários da Polícia Nacional, do Serviço de Investigação Criminal e do novo director do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, nomeados recentemente, pelo Presidente da República. O acto teve lugar no Instituto de Ciência Policiais e Criminais Osvaldo Serra Van-Dúmen.
Em declarações à VOA, negou existir repressão contra manifestante embora reconhecendo que no passado isso aconteceu, mas por culpa dos manifestantes.
“No passado, sim, por mau comportamento desta classe (os manifestantes), disse o ministro para quem o agente da polícia “é um polícia de toda a sociedade” pelo que não se justifica “ser agredido pelo próprio popular”.
“É preciso sempre haver um diálogo uma ação pedagógica, uma acção de sensibilizar antes de agir com cabeça quente”, acrescentou.
Eugénio Laborinho revelou que as autoridades policiais deixaram de usar “meios letais para persuadir” como disparar tiros para o ar.
“Temos outras formas e isso tem dado bons resultados, porque temos a colaboração das populações”, afirmou.
As declarações do Ministro do Interior surgem um dia depois do Zola Bambi, advogado conhecido por defender activistas sociais, ter denunciado ataques por parte da polícia contra activistas.
Esta segunda-feira (8), o advogado e coordenador da associação Observatório para Coesão Social e Justiça alertou a sociedade civil para os actos de repressão, intimidação e ataques contra activistas após ter sido detido na sexta-feira (5), pela polícia para o impedir de prestar auxílio à ativista Laurinda Gouveia e ao seu esposo, que foram absolvidos do crime de desobediência.
Laurinda Gouveia, ativista absolvida do crime de desobediência num julgamento sumário realizado no fim de semana, expressou que o regime político em vigor visa encarcerar todos os jovens cujas ações incomodam a governação. Ela foi detida no final de uma manifestação pacífica que exigia a libertação de quatro ativistas e uma influenciadora digital condenados por crime de ultraje ao Presidente da República.
Onda de “perseguições e detenções”
Por outro lado, o Grupo de Trabalho de Monitoria dos Direitos Humanos (GTMDH) repudiou, na segunda-feira (08), a onda de “perseguições e detenções” de ativistas no país.
A plataforma, que congrega 20 ONG que trabalham na promoção e proteção dos direitos humanos, diz que não vê necessidade nas ações do Governo ou de grupos de interesse de, através da polícia, “perseguir ou deter arbitrariamente” os defensores dos direitos humanos. O GTMDH apela ao Presidente angolano para acabar com essas práticas, conforme um comunicado lido pelo seu coordenador, Guilherme Neves.
“Preocupado com os constantes ataques à liberdade de expressão, de reunião e manifestação, apela ao Presidente da República que, no âmbito das suas competências em matéria de segurança nacional previstas na linha c) do artigo 123 da Constituição da República, decida sobre estratégias de emprego e utilização da Polícia Nacional e demais organismos de proteção, agindo com urgência para pôr fim às políticas e práticas abusivas da polícia”.

