Quinta-feira, 23 de Maio, 2024

‘Blogger’ pró-Kremlin vítima de atentado escapou à prisão para combater na Ucrânia

O ‘blogger’ militar Vladlen Tatarsky, vítima de atentado no domingo e hoje condecorado postumamente pelo Presidente russo, escapou à prisão na Ucrânia, onde esteva detido por roubar um banco, para combater pelas forças russas na região ucraniana no Donbass.

Depois de Tatarsky ter sucumbido num atentado bombista domingo num café na cidade de São Peterburgo, o Canal 1 russo retransmitiu hoje uma entrevista concedida no final do ano passado, em que o entrevistado não esconde que esteve preso e que encontrou “o lugar certo” na guerra.

“Comecei a trabalhar como mineiro, trabalho muito duro e perigoso, onde cada um pode pôr em risco a vida de todos se não cumprir zelosamente as regras estabelecidas”, disse Tatarsky, pseudónimo de Maxim Fomine, na entrevista

“Depois, tornei-me empresário e tive necessidade de arranjar dinheiro para investir no negócio. Foi quando me lembrei de assaltar um banco. Roubei 5 mil dólares, fui apanhado e metido na prisão por oito anos”, confessou.

Depois desta experiência, Tatarsky disse ter colocado de parte ilegalidades, “que só complicam”.

Com o deflagrar do conflito russo-ucraniano no Donbass, na sequência dos protestos Euromaidan em 2013-2014, o famoso ‘blogger’ viu-se debaixo de fogo.

“A prisão localizava-se numa zona de fogo cruzado. Houve feridos e mortes. Por vezes, não tínhamos comida, nem água. Quando chegaram até nós os combatentes pelo Donbass, perguntaram-nos quem queria juntar-se a eles. Fui um dos dezoito voluntários que os seguiu para combater pela junção do Donbass à Rússia”, relatou.

“Senti, então, que estava no lugar certo, que era a minha guerra. Armaram-me e o meu único objectivo passou a ser o de juntar a arma à palavra. Houve momentos em que tanto me fazia morrer ou não, mas tinha consciência de estar numa guerra justa”, sublinhou.

Tatarsky, 40 anos, nasceu na região ucraniana de Donetsk e combateu em 2014 pelos separatistas russófonos contra o Exército de Kiev.

O ‘blogger’, que tinha mais de 560.000 subscritores no seu canal do Telegram, ficou conhecido em setembro de 2022 quando no Kremlin, após assistir a um discurso do Presidente russo, Vladimir Putin, assegurou: “Vamos derrotá-los a todos [os ucranianos], matá-los a todos, roubaremos todos os que quisermos”.

O Presidente russo Vladimir Putin condecorou hoje Tatarsky com a Ordem ao Valor, “pela coragem demonstrada no cumprimento do seu dever profissional”.

Vladlen Tatarsky, pseudónimo de Maxim Fomin, morreu e outras dez pessoas ficaram gravemente feridas na explosão de mais de 200 gramas de dinamite, domingo num café que pertence a Yevgeny Prigojin, o chefe do Grupo Wagner.

O artefacto explosivo estaria ocultado num busto que uma mulher entregou ao ‘blogger’ e que foi ativado por controlo remoto.

“Eu transportei a estatueta que explodiu”, declarou hoje a principal suspeita, Daria Trepova, segundo um vídeo do interrogatório divulgado pelo Ministério do Interior após a sua detenção.

Também esta noite, a televisão russa emitiu uma comunicação do Comité Nacional Anti-Terrorista, atribuindo a acção terrorista que vitimou o ‘blogger’ de guerra aos serviços especiais ucranianos, com a participação de membros da Fundação da Luta Contra a Corrupção, encabeçada pelo activista anti-Putin Alexei Navalny, líder da oposição a cumprir uma pena de nove anos de prisão.

Lusa

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