Quarta-feira, 29 de Maio, 2024

Grupo paramilitar russo Wagner diz controlar Bakhmut, Kiev nega

O grupo paramilitar russo Wagner afirmou hoje ter tomado a cidade de Bakhmut, mas a Ucrânia disse que ainda detinha a cidade, no leste dos país, palco de combates nos últimos meses.

“No sentido legal, Bakhmut foi capturada. O inimigo está concentrado nas áreas ocidentais”, disse o líder do Wagner, Yevgeny Prigozhin, na plataforma Telegram.

Num vídeo, que acompanhava a mensagem, Prigozhin hasteou uma bandeira russa com uma inscrição em honra de Vladlen Tatarsky, um ‘blogger’ militar russo e apoiante da ofensiva da Ucrânia, morto por uma explosão, no domingo. O ataque no centro histórico de São Petersburgo também deixou cerca de 30 pessoas feridas.

“Os comandantes das unidades que ocuparam a Câmara Municipal e todo o centro irão levantar esta bandeira”, disse Prigozhin. “Esta é a empresa militar privada Wagner, estes são os tipos que tomaram Bakhmut”. De um ponto de vista legal, é nossa”, afirmou.

Algumas horas antes, a defesa ucraniana tinha afirmado o contrário: “o inimigo não deteve o assalto a Bakhmut. No entanto, os defensores ucranianos mantêm corajosamente a cidade, repelindo numerosos ataques inimigos”, disse o estado-maior ucraniano na rede social Facebook, no domingo à noite.

Bakhmut, uma cidade de cerca de 70 mil habitantes antes da guerra, tem sido palco de combates durante meses. Devido à duração da batalha e às pesadas perdas sofridas por ambos os lados, a cidade tornou-se o símbolo da luta entre russos e ucranianos pelo controlo da região industrial de Donbass.

As tropas russas têm vindo a avançar a norte e a sul da cidade nos últimos meses, cortando várias rotas de abastecimento ucranianas, ao mesmo tempo que assumem o controlo da parte oriental. A 20 de março, Yevgeny Prigozhin afirmou que a Wagner controlava 70% de Bakhmut.

Apesar de vários aliados e analistas defenderem que as forças ucranianas deviam abandonar Bakhmut, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, recusa-se a entregar a cidade, que se tornou num símbolo da resistência à invasão russa, apesar de, no discurso de domingo à noite, ter reconhecido que a situação em Bakhmut era difícil para as tropas do país.

A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro do ano passado, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Lusa

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