Quarta-feira, 29 de Maio, 2024

Conhecido ‘blogger’ militar russo morto em explosão num café na Rússia

O conhecido ‘blogger’ militar russo e defensor da guerra na Ucrânia morreu, no domingo, numa explosão num café em São Petersburgo, disseram autoridades da Rússia.

Vladlen Tatarsky foi morto enquanto liderava uma discussão num café nas margens do rio Neva, no centro histórico de São Petersburgo. Relatos dão conta que a bomba se encontrava dentro de um busto do ‘blogger’ que lhe tinha sido oferecido.

Cerca de 30 pessoas ficaram feridas na sequência da explosão, informou o ministério da Saúde do país.

Meios de comunicação social russos e ‘bloggers’ militares avançaram que Tatarsky estava reunido com um grupo de pessoas, quando recebeu uma caixa, entregue por uma mulher, com um busto e que acabou por explodir.

Um grupo patriótico russo, organizador do evento, disse ter tomado medidas de segurança, mas reconheceu que “foram insuficientes”.

Num vídeo, a testemunha Alisa Smotrova disse que uma mulher, que se identificou como Nastya, fez perguntas e trocou impressões com Tatarsky durante a discussão.

Nastya disse ter feito um busto do ‘blogger’, mas suspeitando que este pudesse ser uma bomba, os guardas pediram que fosse deixado à porta. Nastya e Tatarsky riram-se. A mulher foi então buscar o busto e ofereceu-o a Tatarsky, que o terá colocado numa mesa próxima.

Smotrova descreveu pessoas a correr em pânico, algumas delas feridas e cobertas de sangue.

A agência de notícias russa Interfax informou, por sua vez, que uma mulher de São Petersburgo, Darya Tryopova, foi detida por alegado envolvimento no atentado. A mulher já tinha sido detida anteriormente por participar de manifestações contra a guerra, acrescentou.

De acordo com ‘media’ russos, investigadores estão a considerar o busto a possível fonte da explosão, embora não descartem a possibilidade de um explosivo ter sido colocado no café antes do evento.

Até ao momento, ninguém reivindicou publicamente o atentado, mas ‘bloggers’ militares e comentadores apontaram de imediato o dedo à Ucrânia, comparando este incidente ao homicídio, em agosto passado, de Darya Dugina, comentadora televisiva e filha de Alexander Dugin, filósofo russo próximo do Kremlin. Darya morreu quando o carro em que seguia explodiu.

Na altura, as autoridades russas atribuíram a culpa aos serviços secretos militares da Ucrânia, embora Kiev tenha negado o envolvimento.

Entretanto, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, afirmou já que as atividades de Tatarsky “valeram-lhe o ódio do regime de Kiev” e observou que há muito este e outros ‘bloggers’ militares russos enfrentam ameaças ucranianas.

Um responsável do Governo ucraniano classificou a explosão que matou Tatarsky como parte da turbulência interna.

“A questão de quando o terrorismo doméstico se tornaria num instrumento de luta política interna [na Rússia] era uma questão de tempo”, escreveu o assessor presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak na rede social Twitter.

Tatarsky, que apresentava relatos regulares sobre Ucrânia, era o pseudónimo de Maxim Fomin, que tinha mais de 560 mil seguidores na plataforma Telegram.

Nascido no Donbass, coração industrial da Ucrânia, Tatarsky trabalhou como mineiro de carvão antes de iniciar um negócio de mobiliário.

Ao passar por dificuldades financeiras, assaltou um banco, cumprindo por isso pena de prisão. Tatarsky escapou durante uma rebelião separatista apoiada pela Rússia, em 2014, semanas após a anexação da Crimeia por Moscovo. Depois disso, juntou-se a rebeldes separatistas e lutou na linha de frente, antes de se dedicar aos blogues.

Lusa

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