Quarta-feira, 29 de Maio, 2024

Bolsas europeias afundam-se de novo arrastadas pela banca

As principais bolsas europeias estavam hoje ao princípio da tarde a acentuar as perdas, arrastadas pela banca, devido ao regresso dos receios sobre a saúde financeira dos bancos europeus.

Às 12:50 em Lisboa, o EuroStoxx 600 estava a baixar 1,78% para os 438,28 pontos.

As bolsas de Londres, Paris e Frankfurt recuavam 1,73%, 2,23% e 2,37%, bem como as de Madrid e Milão, que se desvalorizavam 2,50% e 2,73%, respetivamente.

O declínio dos principais índices acentuou-se desde a abertura numa sessão em que os bancos continuam a ser o foco do mercado após a crise no setor nos EUA e na Europa, no final de uma semana também marcada pelas decisões dos bancos centrais.

O setor bancário do índice EuroStoxx 600 caiu 4,7%, após um aumento acentuado do custo dos seguros contra o risco de incumprimento (CDS) de vários bancos europeus.

À mesma hora, o Deutsche Bank, um dos mais atingidos, recuava 13,42% e o Commerzbank perdia 7,88% em Frankfurt.

De acordo com a Bloomberg, o indicador de cobertura da dívida do Deutsche Bank, o maior banco alemão, aponta agora para uma probabilidade de 27,4% de incumprimento nos próximos cinco anos e o Commerzbank tem uma probabilidade de incumprimento de 19,3%.

O custo de segurar contra o incumprimento da dívida aumentou para a maioria dos bancos europeus, mas menos do que para o Deutsche Bank. Para o Barclays e a Societe Generale a probabilidade é de cerca de 13%, de acordo com estes indicadores.

Em Paris, as ações da Société Générale caíam 6,44%, a maior queda no índice CAC 40, enquanto as do BNP Paribas também perdiam 5,91%. Em Londres, o Barclays perdeu 6,18% e o HSBC 3,79%.

Em Zurique, o Credit Suisse caiu 7,24% e o UBS 6,79%.

De acordo com a agência Bloomberg, o Credit Suisse e o UNS estão a ser alvo de uma investigação dos EUA e são suspeitos de terem ajudado oligarcas russos a contornar as sanções ocidentais.

Contactado pela Afp, o Credit Suisse não quis comentar a informação e o UBS não respondeu.

“O medo do contágio” no setor bancário “ainda não desapareceu”, nota Neil Wilson, analista da Finalto, citado pela Afp, que aponta para a queda acentuada das ações dos bancos europeus, que “pesa no sentimento geral” do mercado.

“Como tenho dito repetidamente nas últimas duas semanas, a crise só terminará quando os investidores deixarem de se perguntar quem será o próximo”, disse Wilson. “E parece que ainda não chegamos lá”.

Em sinal de nervosismo dos investidores, os títulos das dívidas públicas europeias, consideradas como ativos de baixo risco, estavam a ser muito procuradas.

A taxa da dívida alemã a 10 anos, que se move inversamente ao preço da obrigação, desceu para 2,02% por volta das 12:50 GMT, contra 2,19% no fecho de quinta-feira.

Do outro lado do Atlântico, os principais indicadores de Wall Street apontam para um início do dia verde.

Lusa

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